Pular para o conteúdo principal

A Viagem da Vida


Viver é como fazer uma viagem. Eventualmente, podemos até dar uma paradinha para tomar folego, descansar, mas o avançar é compulsório.
Vamos seguindo, passando por lugares maravilhosos, às vezes inóspitos, às vezes, assustadores, às vezes parados, sem vida, aborrecidos. Planícies a perder de vista, morros e vales, desfiladeiros, cachoeiras. Alguns lugares estimulam nossas  lembranças;  outros, nos parecem muito estranhos.
Faz sol, chove, escurece, amanhece. Faz frio, calor. Procuramos nos adaptar o melhor possível, a cada momento, a cada estação.
De quando em quando, caímos, nos machucamos. Levantamos. Às vezes, obtemos algum sucesso, nos alegramos, comemoramos. E continuamos.  O tempo vai passando.
Se nos encontrarmos em um lugar desagradável, pensamos:  vai passar. Sabemos que, provavelmente, lá na frente, deve haver um lugar  melhor. Então, procuramos nos distrair, pensando nos lugares e momentos bons que que conhecemos ou vivemos, nas pessoas interessantes com as quais nos relacionamos, nos amigos, parentes, nas  que não tiveram a mesma sorte que tivemos.  Ao contrário, se nos deparamos com um lugar agradável, aproveitamos o momento o melhor possível - as atrações, as companhias -, enriquecemos as nossas lembranças. Muitas vezes consideramos a possibilidade de ficar ali para sempre. Entretanto, esse lugar, essas pessoas, pouco a pouco, acabam se transformando (ou somos nós que nos transformamos?) E, afinal, acabamos por ir embora. Continuamos.  
No nosso caminhar, aqui e ali, cruzamos com outras pessoas com as quais simpatizamos, nos socializamos, descobrimos pontos e interesses afins, compartilhamos momentos, situações, podemos até seguir juntos por algum tempo, construir algo em comum. Mas, essa relação, por isso ou por aquilo, também se transforma e deixa de ser como era. Nada dura para sempre, a não ser o nosso caminhar, imaginamos.
Até que, de repente, inesperadamente, alcançamos o que parece ser o nosso destino, a chegada, o fim. Será que é?  Nunca teremos certeza até ultrapassarmos esse ponto. O que sabemos é apenas onde estamos agora. Porém, não sabemos se é aqui mesmo que deveríamos ter vindo - se é que deveríamos -, e para onde iremos em seguida, se é que vamos.
 A vida é uma viagem, talvez eterna.  

Postagens mais visitadas deste blog

100 anos do Leblon - os encantos e história do bairro mais charmoso do Rio

Cenário de inúmeras novelas e inspiração de muitos compositores, o local tem centenas de moradores famosos Quando se pensa no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, vem na mente o cenário de inúmeras novelas de Manoel Carlos e, claro, a fonte de inspiração de muitos compositores e poetas. Como defini-lo? Calmo e elegante. Ele - localizado entre Vidigal, Gávea e Ipanema - é conhecido por seus ótimos restaurantes, comércio forte, vida noturna agitada, e pelos famosos que circulam por lá, e pelo seu cartão-postal: o mar e o Morro Dois Irmãos. A beleza natural juntamente com outros atributos fazem da localidade uma das mais cobiçadas da cidade e um dos bairros mais caros do país. No último dia 26 de julho, o Leblon completou 100 anos de histórias. Francisca Ornellas Teles e Charles Le Blond Charles Le Blond, 1804-1880, chegou ao Rio de Janeiro em 1830, proveniente de Marselha fundando a empresa ‘Navegação Aliança’ com a finalidade de explor...

Coração de Gelo

Quem tem ambições literárias deve ser de esquerda (em público) e de direita (na obra) Não dou conselhos. Exceto quando me pedem. Aí, depois de cobrar meu salário, digo sempre o mesmo a uma audiência mais jovem: quem tem ambições literárias deve ser de esquerda (publicamente) e de direita (literariamente). Em público, persiste ainda a ideia bizarra de que a esquerda tem um ‘pedigree’ cultural mais elevado. A história do modernismo desmente essa fantasia. Mas a fantasia sobrevive —e, acredite, é mais confortável fazer carreira sem correr maratonas. Relaxe, seja de esquerda, tudo fica mais fácil. Literariamente falando, ninguém escreve grandes obras com ‘bons sentimentos’. Muito menos com uma visão otimista da condição humana. Nesse quesito, faço minhas as palavras de Graham Greene: ‘um grande autor tem sempre uma farpa de gelo no coração’. O próprio Greene ilustrava essa máxima como grande escritor de direita que era (apesar de se dizer de esquerda, claro). Le...

Família Jafet, 133 anos em São Paulo

Residência família Jafet, 730 A Família Jafet é uma família de origem libanesa radicada na cidade de São Paulo ao final do século XIX . Pioneiros da industrialização paulistana, seus membros criaram um dos maiores grupos empresariais familiares do Brasil, com empreendimentos no ramo têxtil, mineração, metalurgia, siderurgia, serviços financeiros e navegação. Dedicaram-se ativamente à filantropia, tendo liderado a fundação de instituições como o Hospital Sírio-Libanês, o Clube Atlético Monte Líbano, o Clube Atlético Ypiranga e o Esporte Clube Sírio. Contribuíram com doações significativas para o Hospital Leão XIII (hoje São Camilo) , o Museu de Arte de São Paulo, e a Universidade de São Paulo. Os Jafet foram responsáveis pela urbanização do histórico bairro do Ipiranga, onde instalaram suas primeiras unidades fabris, realizaram obras de infraestrutura e construíram palacetes de grande valor arquitetônico, diversos deles hoje tombados. ‘Os Jafets todos são bons, t...