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Mostrando postagens com o rótulo RAZÃO

Cérebro não é feito para mudar de ideia

Autores de livros recentes no campo da ciência cognitiva procuram repensar o papel da razão, e descrever as armadilhas que ela nos prepara. Segundo algumas novas hipóteses: Ø   A lógica é apenas um artifício retórico para persuadir Ø   Nosso cérebro evoluiu de forma a nos convencer de que sabemos mais do que sabemos. Em psicologia, essa operação mental de dar atenção às evidências que sustentam nossa teoria preferida, e descartar as que a contradizem, tem nome: viés de confirmação. Ubíquo nas atividades humanas, ele não é um cochilo da razão, um simples erro aleatório que de vez em quando cometemos. Trata-se, ao contrário, de um elemento constitutivo de nosso pensamento, moldado por milhares de anos de evolução biológica. Há vários livros bem interessantes no campo da ciência cognitiva cujos autores procuram repensar o papel da razão, e descrever as armadilhas que ela nos prepara. I.       ‘ O Enigma da Razão’, dos franceses Hugo Mercier e Dan Sperber ...

Vivemos num mundo quântico

Talvez não seja óbvio, mas sob nossa experiência do real - contínua e ordenada - existe uma outra realidade, que obedece a regras bem diferentes. A questão é, então, como conectar as duas, isto é, como começar falando de coisas que sequer são ‘coisas’ -no sentido de que não têm extensão espacial, como uma cadeira ou um carro-, e chegar em cadeiras e carros. Costumo usar a imagem da ‘praia vista à distância’ para ilustrar a transição da realidade quântica até nosso dia a dia: de longe, a praia parece contínua. Mas de perto, vemos sua descontinuidade, a granularidade da areia. A imagem funciona até pegarmos um grão de areia. Não vemos sua essência quântica, porque cada grão é composto de trilhões de bilhões de átomos. Com esses números, um grão é um objeto ‘comum’, ou ‘clássico’. Portanto, não enxergamos o que ocorre na essência da realidade física. Temos apenas nossos experimentos, e eles nos dão uma imagem incompleta do que ocorre. A mecânica quântica ( MQ ) gira em torno do P...

Moral e Razão

    A razão e a moral são duas coisas diferentes, mas elas têm sido, cada vez mais, colocadas em planos idênticos, ou mesmo com a primeira tentando se sobrepor à segunda. A moral é um fenómeno emergente, não é uma construção racional da mente humana, não é um produto da nossa vontade consciente. Muitos dos preceitos e regras da moral são proibições, implícitas ou explícitas, do gênero ‘não se deve’ fazer isto ou aquilo, que muitas vezes vão contra os nossos instintos básicos, e que, exatamente por isso, racionalmente, voluntariamente, não escolheríamos. A moral está para além da razão, não é um produto dela. É como se fosse uma forma de conhecimento cristalizado nas tradições, hábitos e inclinações de indivíduos e sociedades, da mesma forma que há muito conhecimento cristalizado nos genes e moléculas de um organismo. Muitas das normas morais são absorvidas na infância e na juventude por imitação, não por adesão racional. Muitas dessas regras, inclusive, não são compr...

Superação

A primeira regra dos manuais de sobrevivência é a de que, diante de uma emergência ou ameaça, não podemos entrar em pânico. Mas como? Emoção x Razão Antônio, conversando com um amigo que se queixava sofrer frequentemente de lapsos de memória, comentou que, quando isso acontecia com ele, adotava um procedimento que o ajudava a recuperar o que queria lembrar.   Consistia em relaxar, imaginar estar projetando dois raios de luz, saindo um de cada lado de sua cabeça em direção ao espaço. Procedendo assim, em seguida  quase sempre se lembrava do que havia esquecido. Seu interlocutor perguntou qual era o fundamento dessa teoria. Esses raios de luz entrariam em contato com uma energia superior, comum para todos, onde estaria armazenado todo o conhecimento - inclusive nossas memórias? Antônio respondeu sorrindo que se baseava no mesmo princípio que recomenda que, quando você estiver andando de bicicleta e se deparar com algum obstáculo imprevisto, não deve agarr...

Ciência repensa o cérebro e mostra que ele não é feito para mudar de ideia

    Grupos pró e anti-Lula se confrontam em dia de depoimento do ex-presidente, no Fórum da Barra Funda Autores de livros recentes no campo da ciência cognitiva procuram repensar o papel da razão e descrever as armadilhas que ela nos prepara. Segundo algumas novas hipóteses, a lógica é apenas um artifício retórico para persuadir, e nosso cérebro evoluiu de forma a nos convencer de que sabemos mais do que sabemos. O que é o homem? Platão arriscou uma definição: bípede implume. Ela não durou muito. Logo despontou Diógenes de Sinope, mais conhecido como o Cínico, que depenou uma galinha e passou a exibi-la: ‘Eis um homem de Platão’. Como filósofos nunca dão o braço a torcer, o pessoal da Academia acrescentou ‘e de unhas achatadas’ à definição original. Aristóteles teve mais sorte ao definir o homem como animal racional -‘ zóon lógon échon ’. Embora filósofos nunca tenham deixado de apontar incoerências de nossa natureza -nem Kant achava que o homem era racional o ...