A ordem global que manteve o fluxo de energia, as cadeias de suprimentos funcionando a pleno vapor, e os preços das commodities estáveis por três décadas está se desfazendo. Podemos ver isso nas rotas marítimas que são constantemente interrompidas. Nos preços do petróleo que disparam sempre que um estreito ou um oleoduto é ameaçado. Nas proibições de exportação de minerais críticos que se multiplicam a cada ano. Nos orçamentos de defesa que crescem exponencialmente em todos os continentes. Nos preços dos alimentos que nunca chegam a baixar. A arquitetura da globalização foi construída sobre a premissa de que os recursos críticos estariam sempre disponíveis para quem pudesse pagar o preço de mercado. Essa premissa está sendo exposta, crise após crise, como uma fantasia. A pergunta que todo gestor sério deveria estar fazendo não é ‘quando as coisas vão se estabilizar?’. Elas não vão se estabilizar. A pergunta é: ‘onde estão os recursos indispensáveis para o mundo, e quem os c...
Pesquisadores recolheram mais de 30 mil observações de salários e preços para reconstruir três séculos e meio de PIB Emprego de escravizados criou 'armadilha de baixo salário, baixa produtividade, e baixo desenvolvimento' no país O Brasil foi, na maior parte de sua história, um país pobre - persistentemente pobre. Por um breve período, no início da colonização, os brasileiros tiveram uma renda média comparável à de países europeus, mas, em meados do século 17 , o país empobreceu, e sua renda per capita andou de lado, sem ganhos significativos de padrão de vida, por dois séculos. A economia brasileira só começaria a ter ganhos de produtividade maiores –e a ver o PIB per capita voltar a crescer– a partir de meados do século 19 . Essa é a versão resumida de uma pesquisa que buscou estimar o PIB per capita do Brasil do período colonial à República, entre 1574 e 1920 , conduzida pelos historiadores econômicos Guilherme Lambais, da Universidade Lusíada de Lisboa, e Nuno ...