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Mostrando postagens com o rótulo ESCRITOR

Paulo Carvalho

Paulo Carvalho foi meu colega no Colégio Anchieta em Nova Friburgo, no Ensino Secundário. Era uma Escola Apostólica administrada por padres Jesuítas que tinha como objetivo principal preparar jovens para serem futuros seminaristas da ordem.  Daquela época, lembro-me que, embora fosse um pouco mais novo que eu, Paulo era um garoto alegre, comunicativo sempre de bem com a vida e com todos. Nem eu nem ele seguimos a carreira sacerdotal, sendo que cada um tomou um rumo de vida diferente.  Fui reencontrá-lo, anos mais tarde, nos encontros dos ex-colegas do colégio, que eram promovidos anualmente em Passa Quatro-MG. Encontramo-nos lá duas sou três vezes, e ele, apesar do tempo passado, continuava como sempre – alegre, comunicativo, agregador. A partir de 2014, quando soube do seu falecimento, fiquei tão chateado que foi a última vez que fui a esses encontros. Na verdade fiquei indignado – justo ele, o mais jovem da turma?!  Por conta de tudo isso, hoje, no dia d...

A última visita

O artigo abaixo, a respeito da morte de Machado de Assis (1839-1908) foi publicado por Euclides da Cunha, em 30 de setembro de 1908, no ‘Jornal do Comércio’. Machado havia falecido um dia antes. Retrato de Machado de Assis, 1905, de autoria de H. Bernardelli, óleo sobre tela Na noite em que faleceu Machado de Assis, quem penetrasse na vivenda do poeta, em Laranjeiras, não acreditaria que estivesse tão próximo o desenlace de sua enfermidade. Na sala de jantar, para onde dizia o quarto do querido mestre, um grupo de senhoras – ontem meninas que ele carregara no colo, hoje nobilíssimas mães de família – comentavam-lhe os lances encantadores da vida e reliam-lhe antigos versos, ainda inéditos, avaramente guardados em álbuns caprichosos. As vozes eram discretas, as mágoas apenas rebrilhavam nos olhos marejados de lágrimas, e a placidez era completa no recinto, onde a saudade glorificava uma existência, antes da morte. No salão de visitas viam-se alguns discípulos dedic...

Imagens Escritas

Recentemente, Augusto vinha dirigindo pela estrada numa manhã ensolarada, quando viu alguns bois, andando por uma trilha no campo, em fila, descendo de uma elevação. Provavelmente estavam indo em busca de água, alimento, do frescor da sombra das árvores, ou da segurança do seu estábulo.                                                                                                    Algumas horas mais tarde, já na área urbana, estava na janela de um alto edifício de escritórios, aguardando para ser atendido. Olhou para baixo e viu o trânsito intenso na avenida de duas pistas existente em frente ao prédio -   automóveis, ônibus e motos, trafegando, nos dois sentidos; um atrás do outro, cada qual levando pessoas, seguindo par...