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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa fumava cerca de quatro maços de tabaco diariamente e bebia muito. Nos últimos tempos de sua vida as cólicas abdominais e os estados febris, por vezes intensos, eram cada vez mais frequentes. O médico o avisara, mais de uma vez, que tinha de parar, mas o poeta não lhe deu ouvidos e prosseguiu o seu caminho, alheado da terrível realidade, que pendia como uma sentença fatal sobre a sua vida. Vivia para escrever. Escreveu tanto e tão diversamente, que ainda hoje os investigadores descobrem textos seus. E, no entanto, a ‘Mensagem’ foi o único livro publicado enquanto viveu. Partiu aos 47 anos quando já nada mais esperava da vida. A infância era o seu paraíso perdido, e a mãe, eterna âncora, a quem ele amava mais do que tudo na vida, mas que nunca o compreendeu. Ofélia foi a amada possível, que teria de abandonar porque a sua vida era guiada por Mestres oclusos, e tudo nela girava em torno da sua obra literária. Para a concretizar precisava de sossego, e de isolamento. ...