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Paulão, o patriota

Até hoje ele não entende como tanto desejo pôde resultar num vexame Paulão diz que nunca sentiu tanto tesão por uma mulher. Conheceram-se durante o estágio que ele fez no hospital da Universidade Cornell, no estado de Nova York, num jantar oferecido pelo professor do departamento de cirurgia, para os médicos que participavam de um simpósio. Estranhou o convite: ‘O professor mal percebia minha existência. Não era sempre que me cumprimentava nos corredores’. Uma vez, por ocasião de um congresso em Boston, o acaso colocou os dois sentados lado a lado, no avião. ‘Ele me disse good morning, com um meio sorriso, abriu a pasta, pegou uma revista científica e passou o resto da viagem lendo e grifando o texto. Na saída, murmurou goodbye’. Na véspera do jantar, Paulão comprou um terno azul-marinho e pagou US$ 120 por uma gravata de grife. As mangas do paletó ficaram compridas, inconveniente que a vendedora contornou com meia-dúzia de alfinetes de gancho. Com medo...