Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar sem pressa, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas mais simples. Nunca consideram que quando se entretêm conosco estão perdendo tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor se dá bem com essa divisão gratuita. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se normalmente forem muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham ao nosso lado, sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas, e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas, e de detalhes para nos divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que adotamos e passamos a nos identificar com eles. Os avós já fora...