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Mostrando postagens com o rótulo PAIXÃO

Sentimentos Humanos

    Os Sentimentos Humanos certo dia se reuniram para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes porque a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma, e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear. O Entusiasmo saltou de contentamento, e convenceu a Dúvida e Apatia , ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada; a Arrogância fez cara de desdém pois a ideia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: ‘Ah, gente, vamos deixar tudo como está’, e, como sempre, perder a oportunidade de ser feliz. A primeira a se esconder foi a Preguiça , deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto a Hipocrisia , que, sorrindo fingidamente at...

Saudade Comum

Eles se conheceram durante um curso de especialização profissional. Naqueles poucos dias, se aproximaram, descobriram afinidades, começaram a se falar, a se encontrar fora do ambiente do curso, e se apaixonaram. O sentimento que cada um tinha pelo outro era algo muito diferente de tudo que já haviam sentido até então, em termos de qualidade e de intensidade. Ambos não eram mais tão jovens. Tinham em torno de 35 anos, haviam sido casados, tinham filhos, enfim cada um tinha uma história de vida quase completa. Inicialmente, a paixão deles era tão intensa que não conseguiam deixar de um pensar no outro, estivessem onde estivessem.  Imaginavam como seria se o outro estivesse ali ao seu lado, qual seria sua reação, o que diria, o seu olhar, o seu sorriso... Eles se completavam, supriam as carências e potencializavam as qualidades, talentos, um do outro. Seus programas eram quase iguais aos da maioria dos namorados. Por exemplo: “Eles ainda estavam bem no início do namor...

Eram dois botões que se amavam, mas

Eles se viam oportunamente, quando coincidia da senhora utilizar ao mesmo tempo a blusa e a camisa, nos quais cada um, respectivamente,  estava pregado.  Esses momentos eram especiais. Eles, então, embora separados, cada qual na sua casa, sentiam-se unidos pelo mesmo destino, e parecia que tudo era possível. Entretanto, findo o passeio ou o  dia de trabalho, cada qual ia para a sua prateleira ou gaveta e, às vezes,  ficavam dias sem se ver.  Nessas ocasiões, um ficava pensando no outro, curtindo a saudade, o seu amor,   na melancolia da lembrança de algo de bom que aconteceu.  Por que eles se sentiam tão atraídos? Difícil dizer, a não ser que isso estava confirmando a tese de que sentimentos não têm explicação, independem da razão.  Eles apenas existem. Os dois botões não sabiam como a sua história iria terminar, aliás ninguém poderia prever o fim dessa paixão tão impossível. Mas, um belo dia, a senhora contratou uma costureira para dar ...

Os enamorados

Os enamorados se sentem vivendo um sonho, um sonho que, ao contrário do que é próprio dos sonhos, está ao seu alcance. O sonho é o outro, seu namorado. Eles não vêem a hora se encontrarem, de se falarem, de se tocarem, de estarem juntos. O simples pensar um no outro, já os torna eufóricos - não acreditam que é possível ser tão feliz. Estão vivendo num plano superior, acima da realidade. Nesse plano, os dois se vêem com tanta simpatia, que tudo o que o outro faz, até os defeitos, são positivos, acrescentam. Tudo alimenta o sentimento de realização mútuo. Entretanto, a paixão é um sentimento tão forte quanto volátil - tem prazo de validade, dura pouco, evapora, como um gás liberado, procurando o espaço. Em decorrência, começa a ocorrer um desequilíbrio de sentimento entre as partes: o índice de paixão varia - neste passa a ser maior ou menor do que naquele. E, pouco a pouco, o mundo real vai ocupando o espaço, antes ocupado pelo mundo romântico dos enamorados, onde tudo é tão mara...