Da amurada, trabalho feito, fico vendo o mar deixar a embarcação passar, e me ocorrem as possibilidades que se apresentaram na minha vida, e que também deixei passar, não aproveitei. Não aproveitei porque não pude! Não pode? Não mesmo? Talvez pudesse. A verdade é que algumas eu nem tentei, ou, se tentei, não tentei direito. Creio que por isso não me saem da cabeça. Aquela mulher! Como teria sido bom estar com ela? Ela era perfeita: aquele sorriso, o carinho com que me tratava; era linda... Mas não, não poderia. Imagine as implicações de um assédio mal correspondido, ou a repercussão nas nossas vidas se o ‘nosso caso’ viesse a público. O que diriam meus filhos, meus amigos? Minha mulher... Sim minha vida, estruturada com tanto sacrifício, seria despedaçada. Nem pensar... Aquele barco que gostei tanto! Era perfeito, impecável: sólido, estiloso, amplo, seguro, grande autonomia, bem equipado.....