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Mostrando postagens com o rótulo OLHAR

Superação

Gilberto era um senhor com cerca de 40 anos. Era casado, com dois filhos em idade escolar. Tinha uma bela casa e dois carros seminovos. Até há dois anos atrás tinha um bom emprego, e um salário bem superior à média. Devido à reestruturação ocorrida na sua empresa, de repente, se viu desempregado. A única coisa de bom no que aconteceu é que fez um acordo muito satisfatório, considerando as circunstâncias de mercado, etc. e com o dinheiro recebido estava garantindo a sua subsistência e da sua família, até agora. No início, estava confiante que iria arrumar uma recolocação num curto prazo de tempo. Afinal, era um executivo experiente, bem formado, com ótimos contatos. Não havia como duvidar que tudo daria certo. Fez uma lista de todos os seus contatos. Falou com cada um contando sua história recente, a sua necessidade, e se colocando à disposição. Todos foram muito simpáticos e ficaram de ver o que conseguiam. O tempo foi passando, e nada de definitivo, que fosse a solução, a...

Aquele olhar

Um casal de jovens tinham o mesmo círculo de amizades, e, nesse grupo convivam normalmente. Num determinado dia, ele a olhou, e algo nela o atraiu de uma maneira significativa – ele nunca antes se sentira tão atraído assim por alguém. Ela, se sentindo observada, olhou para ele, e, surpreendentemente, sentiu a mesma coisa.  Ambos, sem entender o que havia acontecido, disfarçaram e continuaram a fazer o que estavam fazendo. A partir daí, continuaram a se relacionar como antes, embora, agora, prestassem mais atenção um no outro. Com o passar do tempo, os colegas comuns intuíram que, independente da negativa de ambos, havia algum futuro comum para os dois. E, começaram a promover encontros, a deixarem os dois sozinhos para conversarem, etc. A coisa foi indo até que, naturalmente, ele declarou seu amor  por ela, e ela respondeu que aquele amor era correspondido. Após um namoro demorado, afinal ambos eram jovens, veio o noivado, e acabaram se casando. Na festa, alguns...

Tristeza

T . morava no mesmo prédio que eu,  com a filha de uns 5 anos e a mulher. O prédio ficava  numa cidade do litoral Sul de São Paulo, São Vicente.  T. tinha entre 40 e 50 anos, sempre bem vestido,  elegante como um executivo bem sucedido, e a mulher, muito bonita, aparentava ser bem mais nova do que ele. Eu, na época, tinha cerca de 15 anos, e o via entrar ou sair do prédio, indo ou voltando do trabalho, quase todos os dias. Aparentemente não tinha carro – aliás, naqueles dias, não era  comum alguém ter um.  Até aí nada de mais. Entretanto, o que eu enxergava nele era tristeza; nunca vi ninguém passar esse sentimento com tanta intensidade durante toda a minha vida. Era tão forte que chegava até a incomodar. Estava no seu jeito de andar, de falar e, especialmente, no seu olhar.  Até hoje, passadas cinco décadas, ainda me lembro perfeitamente daquele  olhar. E, ocasionalmente, ainda me pergunto:  ‘Por que ele era tão triste?’   Pr...