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Mostrando postagens com o rótulo SOLIDÃO

Depressão e ansiedade deixarão sequelas mais duradouras do que o coronavírus

Dificuldade de lidar com a solidão é um enorme desafio nestes dias de distanciamento social Depressão é transtorno traiçoeiro que transforma a vida num fardo difícil de suportar. Mesmo antes do coronavírus, já era considerada ‘o mal do século’. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a partir desta década, será a principal causa de absenteísmo, isto é, faltas no trabalho. Já o é, entre os que trabalham no mercado financeiro de São Paulo. Parece paradoxal, porque a partir da Segunda Guerra centenas de milhões de pessoas tiveram acesso a alimentos de qualidade, serviços de saúde e níveis de conforto com os quais nossos antepassados não ousavam sonhar. Embora a pobreza possa aumentar a prevalência de pessoas deprimidas nas sociedades, por que razões tantos que desfrutam de melhores condições financeiras desenvolvem um transtorno que lhes subtrai o prazer de viver? Nas últimas décadas, a ênfase foi dada à biologia dos neurotransmissores, os sinais q...

Ao se isolar, Thoreau aprendeu a perder o medo da solidão

Autor americano impôs a si uma quarentena para reavaliar a forma como vivemos, e contou tudo em 'Walden',  1854 O escritor americano Henry David Thoreau, 1817-1862 Amigos ansiosos, temendo o efeito da quarentena em suas cabeças, pediram dicas pessoais e literárias para sobreviver. No meu caso, elas convergem –não tenho nada para lhes oferecer que não tenha aprendido com ‘Walden’, de Henry David Thoreau. Obra estranha, essa, para um urbano-depressivo como eu. Não seria capaz de viver na mata. A natureza, como alguém dizia, são bichos comendo outros bichos —até o momento em que eles percebem que o nosso próprio corpo é o melhor manjar. Sou um eremita das cidades. O cheiro dos escapamentos é para mim Chanel N° 5 . Mas quem disse que ‘Walden’ só funciona para quem abandonou a civilização e se entregou à vegetação selvagem? A obra de Thoreau é o relato de uma pausa —uma quarentena de dois anos e dois meses– em que o autor, em 1845 , se propõe ‘viver deliber...

Estar sozinho pode ser a sua melhor companhia

Ninguém deveria ter medo de ficar sozinho. Não há porque temer ficar consigo mesmo. É até uma necessidade marcar um encontro consigo para avaliar a vida, deixar os pensamentos fluírem, se diluírem… Estar só pode ser um belo encontro de paz e tranquilidade – sem ansiedade ou provações, apenas você e você no seu mais íntimo momento. Procure encontrar este lugar. Há quem fique ansioso demais por estar sozinho, e tem a necessidade de fazer algo. Pare, relaxe, respire! Está tudo bem estar com você. Observe-se. Perceba o que o rodeia. Conecte-se. Claro que a ideia não é aprovar o isolamento do mundo, a solidão que me refiro é aquela que não precisa estar sempre como um par ou acompanhada. Há pessoas que depositam suas vidas numa relação, e isso é de uma grande covardia, pois faz do companheiro a sua responsabilidade de felicidade. É preciso estar completo para se doar e receber. Não há necessidade de viver relações para se se...

Ministério da Solidão

E que tal um ministro para a solidão? Não é ideia minha. Já existe. No Reino Unido, a premiê Theresa   May considerou a solidão ‘a mais triste realidade da vida moderna’. Para combater esse mal, indicou a ministra Tracey Crouch para ‘desenvolver’ uma ‘estratégia’ adequada. Confesso que a ideia me parece absurda. Tão absurda como haver um ministro para a tristeza ou uma ministra para o fracasso. Razão óbvia: Theresa May está errada quando acredita que a solidão é uma ‘realidade’ moderna. Não é. A solidão, tal como a tristeza e o fracasso, faz parte da condição humana, provavelmente desde o momento em que os membros da espécie tiveram consciência de si próprios. A solidão não tem ‘cura’ porque, em rigor, não é uma doença. Exceto para a tradição racionalista —antiga e moderna— em que Theresa  May, ironicamente tida por ‘conservadora’, se inspira. Sobre o racionalismo antigo, não é preciso um conhecimento íntimo de Aristóteles para lembrar o seu argumento políti...

Novo Caminho

    Oswaldo, num determinado momentos da sua vida, sentia que estava saindo da luz e entrando na escuridão. As coisas tomavam um rumo que independia do seu controle, e o levava de uma situação estabilizada para uma outra, que era muito pelo contrário. Nessas ocasiões, procurava ser otimista, acreditar que tudo daria certo no final, e agir de acordo com o esperado para superar o que tivesse que ser. Sempre dera certo. Porém, a partir de uma determinada época, deixou de ser.  Estava difícil manter a fé - ele só conseguia por não ter uma outra melhor opção. O que mais o incomodava nessa situação é que as pessoas, principalmente as mais próximas, consideravam que era sua a culpa pelo estado em que se encontrava. Isso era explicável considerando a sua origem e tudo o que havia conquistado durante a sua vida, criara nas pessoas uma alta expectativa em relação a ele. Além disso, era o responsável direto ou indireto, pela vida de muitas pessoas. Elas não tinham culpa! ...

Relações

Nestor foi fazer um estágio em outro país, proporcionado pela multinacional onde trabalhava. A família, mulher e filhos, permaneceram no Brasil. Lá, teve oportunidade de conhecer e conviver com uma colega de trabalho, Anne, Ambos tinham cerca de 40 anos, casados, com filhos. Com o tempo, como consequência de histórias de vida muito parecidas, afinidades,  foram, naturalmente, se aproximando, até que, oportunamente, se tornaram amantes.  Sua relação não era exclusivista, e nem tinha prazos ou horários pré-determinados.  Quando acontecia de terem uma oportunidade, se encontravam. Se não, tudo bem. Cada um tinha a sua vida bem estruturada, que seguia seu curso , como sempre. Nestor não tinha problemas com a família – muito pelo contrário. Entretanto, nos últimos tempos seu casamento tinha entrado num processo de esfriamento que tornou a relação do casal mais de amizade, com cada parte cuidando de suas responsabilidades, sem dar uma atenção especial um ao outr...