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Paulo Carvalho

Paulo Carvalho foi meu colega no Colégio Anchieta em Nova Friburgo, no Ensino Secundário. Era uma Escola Apostólica administrada por padres Jesuítas que tinha como objetivo principal preparar jovens para serem futuros seminaristas da ordem.  Daquela época, lembro-me que, embora fosse um pouco mais novo que eu, Paulo era um garoto alegre, comunicativo sempre de bem com a vida e com todos. Nem eu nem ele seguimos a carreira sacerdotal, sendo que cada um tomou um rumo de vida diferente.  Fui reencontrá-lo, anos mais tarde, nos encontros dos ex-colegas do colégio, que eram promovidos anualmente em Passa Quatro-MG. Encontramo-nos lá duas sou três vezes, e ele, apesar do tempo passado, continuava como sempre – alegre, comunicativo, agregador. A partir de 2014, quando soube do seu falecimento, fiquei tão chateado que foi a última vez que fui a esses encontros. Na verdade fiquei indignado – justo ele, o mais jovem da turma?!  Por conta de tudo isso, hoje, no dia d...

Tempo Presente

Seu dia era igual a todos os outros.   Havia perdido a filha e esposo num acidente de trânsito, mas estava se recompondo: mudou para uma outra casa que começou a reformar, começou a praticar fitness que havia abandonado já há algum tempo, estava fazendo um curso de aperfeiçoamento na faculdade, ... Enfim, retomou o curso da vida que havia sido bruscamente quebrado. Nesse processo, foi auxiliada pela psicóloga da pequena cidade onde morava, que lhe orientava e incentivava. Na reforma de sua casa, estava sendo ajudada pela sua amiga arquiteta, que lhe deu sugestões, fez um projeto e estava orientando a equipe que foi contratada para executar o serviço.  Essa casa foi comprada parcialmente mobiliada pois seus antigos proprietários haviam se mudado para o exterior. Ela até achou bom porque não quis levar nada que a prendesse ao passado que, infelizmente, passou.  Numa das visitas que fazia para acompanhar o andamento da obra, encontrou na biblioteca da casa um diá...

Almoço em Família

Num desses últimos domingos ele teve oportunidade de compartilhar alguns momentos na vida de uma família, na casa de um casal amigo. Lá estavam alguns parentes desse casal:  irmãos, cunhados, filhos, sobrinhos, encontrando-se, interagindo, descontraídos, num estado de ‘não cobrança’, ‘à vontade’, ‘em casa’,  pondo a conversa em dia. Ele se lembrou com saudade outras ocasiões como essa que viveu com membros da própria família.  Já fazia muito tempo que nem se lembrava mais de quando foi a última vez.   Por que tudo acabou?  A verdade é que alguns dos seus parentes mais próximos se afastaram compulsoriamente.  Mas, certamente, esta não é a única causa. Outros, como irmãos, demais primos e sobrinhos, estão vivos... Por que não deram continuidade ao costume?  Os almoços de domingo... É claro que cada qual tem seus afazeres, suas responsabilidades, seus problemas, e o tempo disponível para fazer tudo que tem que ser feito é curto,....  Será...