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Mostrando postagens com o rótulo ÉPOCA

Tempo de Cada Um

Ele tinha cerca de 70 anos. Eventualmente se imaginou voltando na época da sua adolescência. Como então consideraria aquele que se tornou? E vice-versa: como consideraria hoje aquele jovem que foi um dia? É difícil dizer. Mas, a tendência é sermos condescendentes conosco mesmo. Num determinada oportunidade eles conseguiram. Em sonhos ou não – não sabem explicar- cada um viajou para o tempo do outro, e tiveram oportunidade de conviver consigo mesmo, com o seu ambiente e problemas da época, e de refletir sobre aquelas existências compartilhadas, no passado ou no futuro. O Jovem O idoso visitou o jovem que ele fora. Momentos da infância, adolescência, mocidade, e ficou sensibilizado com a seriedade daquele garoto. Era de família simples, mas que soube orientá-lo: alimentou sua autoconfiança, conseguiu fazê-lo estudar em bons colégios, fez ele conviver com pessoas que serviram para motivá-lo a lutar, a superar suas limitações.     ...

Mundo Passado

O menino se encontrou caminhando por uma rua de uma cidadezinha desconhecida, sem saber quem era, de onde tinha vindo nem para onde estava indo. Vestia-se como os demais meninos de sua idade que via pela rua. Mas, além disso, não sabia mais nada. Começou a observar as pessoas.  Viu uma moça de pernas grossas, baixa, meio gordinha que caminhava com os pés virados para o lado externo; um homem enorme, de barba escura, que tomava cerveja num bar, com os cotovelos apoiados no balcão, falando muito alto com todos com sua voz grossa; um padre apressado, magrinho, que cumprimentava quem encontrava, demonstrando no cumprimento sua timidez e  gagueira. Ele pensou: ‘Que pessoas estranhas... Onde vim parar?’  Depois, refletindo, considerou que todos podiam ser pessoas normais, e que apenas ele estava percebendo suas características, porque não conhecia ninguém e as estava observando. Quando estamos num meio familiar, nem notamos direito as pessoas; já sabemos como elas são fi...

Sobrevivente

Chegando em casa, após uma reunião de trabalho, ele se sentiu diferente de todo mundo, um ser de outro planeta.  Tinha a impressão de ser o único determinado a atingir o objetivo. Esse sentimento de exclusividade naturalmente sinalizava exagero, mas no momento não lhe ocorreu.   Na situação vivida no trabalho, se sentiu como um agente da Swat, postado armado, todos os alertas ativados, pronto para invadir o posto inimigo. Infravermelho da arma iluminando o alvo, preparado para apertar o gatilho, dependendo da reação. E, todos os seus companheiros de missão conversando sobre assuntos aleatórios e diversos, podendo até estar sinalizando posição do grupo para o inimigo. Pode isso ?   Sentou-se no escuro de sua sala, pensativo,  e depois de alguma reflexão concluiu: “Devo estar doente. Só eu fico focado, sigo a estratégia combinada, fico ansioso porque ninguém está fazendo o que deveria.  Por que sou assim e os demais não?  Estou estressado, ...