Pode ser que estejamos vendo a crise na Ucrânia pelo prisma da política de superpotências, quando o enquadramento mais adequado seria o do imperialismo. A União Soviética foi o último grande império multinacional da história. Os esforços de controle de Moscou foram atitudes de uma ex-superpotência humilhada pelo próprio declínio, tentando se agarrar a algum símbolo de grandeza. Na história, todos os processos de derrocada de impérios foram acompanhados de esforços das potências imperiais de manter seus territórios conquistados. A França travou guerras brutais na Argélia e no Vietnã, e os britânicos mataram mais de 10 mil pessoas no Quênia durante a Revolta dos Mau-Mau. As potências imperiais fizeram isso simplesmente porque, sob sua visão, a ideia de ser uma superpotência na arena internacional exigia que elas mantivessem esses ‘prêmios’ coloniais. Observadas através desse prisma, as ações da Rússia na Ucrânia são previsíveis. Após um período de fraqueza, nos anos 90 , q...