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Mostrando postagens com o rótulo TRISTEZA

Ministério da Solidão

E que tal um ministro para a solidão? Não é ideia minha. Já existe. No Reino Unido, a premiê Theresa   May considerou a solidão ‘a mais triste realidade da vida moderna’. Para combater esse mal, indicou a ministra Tracey Crouch para ‘desenvolver’ uma ‘estratégia’ adequada. Confesso que a ideia me parece absurda. Tão absurda como haver um ministro para a tristeza ou uma ministra para o fracasso. Razão óbvia: Theresa May está errada quando acredita que a solidão é uma ‘realidade’ moderna. Não é. A solidão, tal como a tristeza e o fracasso, faz parte da condição humana, provavelmente desde o momento em que os membros da espécie tiveram consciência de si próprios. A solidão não tem ‘cura’ porque, em rigor, não é uma doença. Exceto para a tradição racionalista —antiga e moderna— em que Theresa  May, ironicamente tida por ‘conservadora’, se inspira. Sobre o racionalismo antigo, não é preciso um conhecimento íntimo de Aristóteles para lembrar o seu argumento políti...

Abra seu Coração

"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos! Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente. A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse. Quem está deprimido por causa da perda de um emprego, projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptídios na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das...

Sentimentos

Um renomado cientista faz parceria com um dos maiores líderes religiosos do planeta e, juntos, os dois criam um mapa para entender as sensações humanas. ‘Cérebros brilhantes podem produzir grandes sofrimentos. É preciso educar os corações’, acredita Tenzin-Gyatso, de 81 anos, o atual Dalai-Lama, líder máximo do budismo tibetano.  Segundo a sua crença, a felicidade mundial poderia ser alcançada se cada um dos habitantes do planeta encontrasse paz interior. Em 2014, com essa ambiciosa meta em mente, o Dalai-Lama encomendou a um dos mais respeitados psicólogos contemporâneos, o americano Paul Ekman, de 82 anos, um estudo que pudesse levar à compreensão de como se guiam os sentimentos humanos. O resultado é o 'Atlas das Emoções', lançado em junho de 2016. A ideia é que, consultando o trabalho, as pessoas possam identificar quais estados mentais lhes provocam as reações emotivas que Ekman reuniu em cinco grupos: Alegria, Raiva, Medo, Tristeza e Nojo. Conforme Paul...

Tristeza

T . morava no mesmo prédio que eu,  com a filha de uns 5 anos e a mulher. O prédio ficava  numa cidade do litoral Sul de São Paulo, São Vicente.  T. tinha entre 40 e 50 anos, sempre bem vestido,  elegante como um executivo bem sucedido, e a mulher, muito bonita, aparentava ser bem mais nova do que ele. Eu, na época, tinha cerca de 15 anos, e o via entrar ou sair do prédio, indo ou voltando do trabalho, quase todos os dias. Aparentemente não tinha carro – aliás, naqueles dias, não era  comum alguém ter um.  Até aí nada de mais. Entretanto, o que eu enxergava nele era tristeza; nunca vi ninguém passar esse sentimento com tanta intensidade durante toda a minha vida. Era tão forte que chegava até a incomodar. Estava no seu jeito de andar, de falar e, especialmente, no seu olhar.  Até hoje, passadas cinco décadas, ainda me lembro perfeitamente daquele  olhar. E, ocasionalmente, ainda me pergunto:  ‘Por que ele era tão triste?’   Pr...