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Guerra do Paraguai terminou há 150 anos, mas feridas seguem abertas

Aniversário do conflito serve para refletir sobre tradição latino-americana de confiar em salvadores da pátria Pedro Américo - ‘A Batalha do Avaí’, uma batalha da Guerra do Paraguai (detalhe) ‘Morro com meu país!’ Proferida num 1º. de março como este domingo, há 150 anos, esta frase foi a última dita pelo marechal Francisco Solano López, 1827-1870 ,   antes do tiro que colocaria fim à sua vida, e determinaria a derrota de seu país na Guerra do Paraguai. Pode soar apenas como a triste despedida de um militar patriota que perde a vida no campo de batalha. Mas é mais do que isso. A Guerra do Paraguai, 1864-1870 , não apenas significou o desaparecimento da figura cruel de Solano López, como criou mitos e disputas ideológicas sobre o conflito. Também moldou a identidade paraguaia, causou extrema destruição à economia e à população do país, enquanto serviu a governantes autoritários para forjar uma narrativa de patriotismo que justificaria atrocidade...

Paulão, o patriota

Até hoje ele não entende como tanto desejo pôde resultar num vexame Paulão diz que nunca sentiu tanto tesão por uma mulher. Conheceram-se durante o estágio que ele fez no hospital da Universidade Cornell, no estado de Nova York, num jantar oferecido pelo professor do departamento de cirurgia, para os médicos que participavam de um simpósio. Estranhou o convite: ‘O professor mal percebia minha existência. Não era sempre que me cumprimentava nos corredores’. Uma vez, por ocasião de um congresso em Boston, o acaso colocou os dois sentados lado a lado, no avião. ‘Ele me disse good morning, com um meio sorriso, abriu a pasta, pegou uma revista científica e passou o resto da viagem lendo e grifando o texto. Na saída, murmurou goodbye’. Na véspera do jantar, Paulão comprou um terno azul-marinho e pagou US$ 120 por uma gravata de grife. As mangas do paletó ficaram compridas, inconveniente que a vendedora contornou com meia-dúzia de alfinetes de gancho. Com medo...