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Mostrando postagens com o rótulo DIMENSÃO

Mundo Passado

O menino se encontrou caminhando por uma rua de uma cidadezinha desconhecida, sem saber quem era, de onde tinha vindo nem para onde estava indo. Vestia-se como os demais meninos de sua idade que via pela rua. Mas, além disso, não sabia mais nada. Começou a observar as pessoas.  Viu uma moça de pernas grossas, baixa, meio gordinha que caminhava com os pés virados para o lado externo; um homem enorme, de barba escura, que tomava cerveja num bar, com os cotovelos apoiados no balcão, falando muito alto com todos com sua voz grossa; um padre apressado, magrinho, que cumprimentava quem encontrava, demonstrando no cumprimento sua timidez e  gagueira. Ele pensou: ‘Que pessoas estranhas... Onde vim parar?’  Depois, refletindo, considerou que todos podiam ser pessoas normais, e que apenas ele estava percebendo suas características, porque não conhecia ninguém e as estava observando. Quando estamos num meio familiar, nem notamos direito as pessoas; já sabemos como elas são fi...

Realidades Paralelas

Eduardo acordou naquele dia, no mesmo horário e fez as mesmas coisas de sempre: levantar-se, separar a roupa que iria usar, tomar banho, se trocar e sair. Tomou o elevador, desceu até garagem, no subsolo do seu prédio, entrou no seu carro e pretendia sair, tomar seu café da manhã na cafeteria mais próxima, e seguir para a Universidade onde, há pouco tempo fora nomeado professor titular da cadeira de Física. Ao se sentar ao volante, ao fechar a porta do carro, teve como que uma vertigem – sentiu-se como que engolido pela terra. Ao voltar a si, estava andando sozinho por uma rua e cidade estranhas. Estranhas não só por serem desconhecidas, mas, principalmente, por terem uma configuração inusitada, com ares futuristas: os prédios, as pessoas, os veículos.   Enquanto olhava tudo aquilo, sem entender nada, alguém uniformizado, que aparentava ser um policial, dirigindo um meio de transporte que poderia ser uma prancha de surfe, com uma coluna de pilotagem no centro, onde se apoi...

Ser Humano Idealizado

Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder. Pelo que entendo, o mundo preconizado pela filosofia budista não prevê que seus seguidores se isolem, se afastem das coisas e das pessoas   que os incomodam.   As coisas e as pessoas boas, bem como   as ruins, fazem parte de algo que todos somos, e que não devemos ignorar ou renegar. Devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para que tudo seja como julgamos que deva ser. Depois, aceitar tudo o que for, o que tiver que ser, como parte de nós, deixando-nos envolver pela sua energia. Se positiva, potencializá-la, reverberá-la para o maior número possível de pessoas. Se negativa, inspirá-la, assumir nossa responsabilidade pela sua existência, sofrer a mesma dor, a mesma   injustiça, de quem sofre, de quem é injustiçado, e expirar, liberando tudo o que ela representa,   deixando essa energia ruim ir embora, fluir como um rio de correnteza, que leva tudo o que encontra no seu cami...