“A ideia de democracia se baseia no reconhecimento do outro. Nada tão antidemocrático como querer desqualificá-lo. Isso vale sobretudo para aquele outro que é mais diferente de mim, mais contrário, aquele que defende ideias que eu detesto. O direito democrático é, antes de tudo, o direito do outro. É celebre a tirada de que "o inferno são os outros". Ao criá-la, Sartre nos lembrou que o outro está sempre − e inevitavelmente − a nos frustrar, e que isso ocorre exatamente por causa de sua alteridade: ele é aquele que nos dá limites. Mas é por isso mesmo − ou seja, por nos impedir de bancar os totalitários − que ele nos faz bem e que essa interação é salutar. O regime democrático alimenta sua legitimidade na deliberação e no debate. Para que esse processo seja autêntico, é necessário que os atores sociais em cena participem com mente aberta, ou seja, estejam dispostos a rever suas opiniões a partir do momento em que escutam os pontos de vista dos demais, notadamente os ...