Insatisfeito com o silêncio de Buda, quando confrontado com 14 questões sem resposta, o monge Malukyaputta exige que o mestre esclareça as dúvidas a respeito da eternidade e da finitude do Universo, da similaridade entre a alma e o corpo e da vida após a morte, ou que o mestre admita ser incapaz de elucidá-las. Buda se vale, então, da parábola da flecha, narrando ao discípulo a história do homem que, ferido, impede que extraiam a flecha de seu corpo enquanto não descobrir de que arco ela partiu e qual tipo de corda o vergou; a que família pertencia e de que ave foram recolhidas as penas da arma que o atingiu... O homem, é claro, morre antes de obter as respostas. O caso, segundo Buda, é semelhante ao do monge que se recusa a seguir na vida espiritual sem resolver certos problemas filosóficos. Nada disso é útil, afirma o Iluminado, no caminho que conduz ao desprendimento, à eliminação do desejo, à tranquilidade e ao nirvana. Em vez de ludibriar o seguidor com visões ...