Os enamorados se sentem vivendo um sonho, um sonho que, ao contrário do que é próprio dos sonhos, está ao seu alcance. O sonho é o outro, seu namorado. Eles não vêem a hora se encontrarem, de se falarem, de se tocarem, de estarem juntos. O simples pensar um no outro, já os torna eufóricos - não acreditam que é possível ser tão feliz. Estão vivendo num plano superior, acima da realidade. Nesse plano, os dois se vêem com tanta simpatia, que tudo o que o outro faz, até os defeitos, são positivos, acrescentam. Tudo alimenta o sentimento de realização mútuo. Entretanto, a paixão é um sentimento tão forte quanto volátil - tem prazo de validade, dura pouco, evapora, como um gás liberado, procurando o espaço. Em decorrência, começa a ocorrer um desequilíbrio de sentimento entre as partes: o índice de paixão varia - neste passa a ser maior ou menor do que naquele. E, pouco a pouco, o mundo real vai ocupando o espaço, antes ocupado pelo mundo romântico dos enamorados, onde tudo é tão mara...