Há poucos dias, terminei de ler os ‘Diários da Presidência’, de Fernando Henrique Cardoso. São três alentados volumes, cada um abrangendo um biênio; o quarto, 2001-2002, sairá no ano que vem. Não se trata propriamente de diários escritos, e sim da transcrição de gravações que Fernando Henrique ia fazendo, no seu tempo de presidente, para assinalar e eventualmente comentar os acontecimentos que considerava mais significativos. Independentemente de posições políticas, vejo a leitura dos diários como instrutiva a respeito do cotidiano que caracteriza o exercício do governo e também do contexto em que se dá a tomada de decisões. É de se prever que esses textos venham a se tornar um importante documento de consulta para os estudiosos desse período no Brasil. Na imprensa, a publicação dos diários não parece ter suscitado muitas análises ou debates. Uma exceção é o artigo que o cientista político Celso Barros publicou no último número da revista Piauí − tenho uma ou outra divergência...