O palhaço se sentiu prestigiado, engrandecido, forte, com os aplausos da plateia que ria de suas caretas, de seu linguajar chulo, de suas frases sem sentido, de suas bravatas. O público acreditou que, de tão absurdas as falas do bufão, tratavam-se de brincadeiras, de piadas de mau gosto, de pura encenação cômica. Mas o palhaço não estava para brincadeiras, falava sério, seu discurso significava exatamente o que ele queria dizer, não era zombaria, não era mofa, não era pilhéria, e a empolgação da audiência o autorizava a crer que ela concordava com suas palavras. O palhaço distribuía piadas e pão e as pessoas pareciam se sentir saciadas, parecia que isso lhes bastava. O truão se sentiu grande, achou que era o dono do circo, que possuía a consciência da plateia, que a tinha como refém. Então, resolveu apoderar-se do circo, transformá-lo em um picadeiro no qual seria o único astro, de onde ouviria eternamente os aplausos do público a seus atos insensatos, a su...