Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo MOMENTOS

Memórias Compartilhadas

Jair era um homem de cerca de 30 anos, solteiro. Sempre teve uma vida estável, praticando uma rotina confortável, porém sem grandes emoções. Convivia sempre com os mesmos grupos de amigos, quase todos estabilizados como ele, e desfrutando a vida da melhor maneira, dentro de suas expectativas limitadas. Entretanto, Jair, de uns tempos para cá, começou a sentir uma certa melancolia, sentia que não estava fazendo o que devia, aquilo que, talvez, fosse melhor para ele.  Mas, não estava habituado, preparado para fazer alguma coisa fora do que estivesse programado.  Além disso, embora já tivesse tido algumas ideias, não tinha coragem para mudar.  Qualquer iniciativa nesse sentido, implicaria em riscos que ele não estava disposto a correr. Num determinado dia, ficou sabendo que um colega de trabalho, o Ângelo, estava tendo um caso com uma colega comum, a Vera. Vera era uma moça muito bonita, atraente, simpática.  Ele, inclusive, já tinha tido, por vá...

Museu da Memória

Allan era um homem de cerca de 50 anos. Era físico, tinha trabalhado em laboratórios de empresas multinacionais e, atualmente era professor numa universidade tradicional de seu país. Durante a sua vida profissional teve oportunidade de participar da elaboração de diversas teorias científicas e no desenvolvimento de produtos de ponta que vieram otimizar   a produção industrial, a facilitar a vida de milhões de pessoas.   Allan, até agora,  tivera uma vida plena em todos os sentidos. Suas ambições intelectuais tinham sido alimentadas e expandidas, seu trabalho era reconhecido, tinha alcançado estabilidade financeira, tinha muitos amigos, era casado com uma mulher que o completava, e dois filhos – um rapaz e uma mocinha, que  estavam estudando, e que o  enchiam de orgulho. Entretanto, ele percebia que grande parte daquilo que havia vivido, atualmente estava registrado apenas na sua memória, e, com o passar dos anos, teria significado apenas para ele e,...

Chaves

Ele tinha um molho de chaves onde estavam todas as  chaves da casa: as das portas de entradas, dos armários;  das edículas da casa de máquinas da piscina, das ferramentas utilizadas para jardinagem, do filtro da água que vem da rede externa, da entrada da energia elétrica,  dos botijões de gás; do espaço sob a churrasqueira, onde fica a minigeladeira, exclusiva para resfriamento de bebidas; da dispensa, dos quartos e do depósito. Um dia, pensando na possibilidade de alguém necessitar acessar a casa, e precisando apenas utilizar as chaves de entrada – porta principal, da área de serviço e da varanda -, e para facilitar, tirou essas chaves do molho principal e as colocou num outro chaveiro, específico. Num outro dia, tirou do molho as chaves das edículas e as colocou num chaveiro próprio, para facilitar, quando o piscineiro/jardineiro, necessitasse e não dispusesse das suas próprias. Como era de seu uso exclusivo, tirou as chaves da geladeirinha e da dispensa da ...

Como o Tempo Passa

Para as pessoas muito jovens e para os mais idosos, as horas passam muito devagar. Entretanto, os anos passam voando. Essa percepção da passagem do tempo é mais sentida quando não se tem muito a fazer. Quando se está envolvido em alguma tarefa ou missão, parece que passa mais rápido. A explicação é que as atividades a que nos dedicamos nos distraem  acabamos por não ver o tempo passar.   Será que deveríamos ter menos atividade para aproveitar melhor o tempo da vida?  O tempo, certamente. Porém, a vida não. O aproveitar a vida está exatamente em fazer coisas: viagens, relações, construção de nossa história, aprender, ensinar, etc. Quanto mais fazemos, mais fácil fica fazermos, de forma que no final nem nos distraímos mais com os detalhes, antes tão trabalhosos e importantes. Com a experiência, aproveitamos mais os fatos novos que surgem quando estamos em ação, quando nos expomos, justamente porque podemos nos ater ao fundamental ao invés de perdermos tempo com o ...

Os garotos daquela época

Ele tinha uns 10 anos de idade. Não tinha irmãos da sua idade, mas, em compensação, tinha muitos amigos.  Era um menino inteligente e de grande imaginação. No quintal de sua casa, por exemplo, montou uma barraca utilizando sarrafos de madeira descartados e cobertura de papelão, e fazia de conta que ali era o seu quartel general. Tinha uma tia que era costureira. Ela lhe dava carreteis de linha velha ou que não tivesse mais utilidade. Quase todos os dias pela manhã,  utilizava essa linha para empinar as pipas que fazia. Logo em  seguida devia almoçar para ir para a escola. Aguardava até o último minuto, até a mãe o chamar, gritando, dizendo que estava na hora.  Nessas alturas, havia soltado quase toda a linha  da pipa; à distância ela ficava tão pequena no espaço que quase não era visível. Então, para ganhar tempo, ao invés de recolher a pipa, cortava a linha, almoçava rapidamente, e saia. No caminho para a escola, ficava procurando a pipa que deveria te...