Completando 300 anos, 'Robinson Crusoé' é um clássico paradoxal. Mais do que aventura infantil, livro revela atitudes culturais perturbadoras Vista da cidade San Juan Batista, na Ilha Robinson Crusoé, arquipélago Juan Fernandez, no Oceano Pacífico Em 25 de abril de 1719, há exatos 300 anos, o editor londrino William Taylor lançou um livro que veio a se tornar um dos mais famosos da história. A página de título original dizia ‘A Vida e as Estranhas e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoé de York, Navegador’, e trazia abaixo disso um subtítulo explicativo: ‘Que viveu 28 anos solitário em um ilha desabitada na costa da América, perto da foz do grande rio de Oronoque; tendo sido levado à terra por um naufrágio, no qual pereceram todos os homens, exceto ele. Com um relato de como ele por fim foi estranhamente libertado por piratas’. E ao pé da página, as palavras mais importantes: ‘Escrito por ele mesmo’. A despeito das aparências, ‘...