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Mostrando postagens com o rótulo ACIDENTE

Acidente Evitável

  Ele vinha dirigindo seu carro pela estrada vindo da sua casa, a caminho da cidade, onde tinha que ir ao SM .  O trânsito estava bom, sem problemas.  Num determinado momento percebeu que vinha vindo um carro atrás, ultrapassando a todos que conseguia. Aquele comportamento de alguma maneira mexeu com ele, que acelerou seu carro, criando maior distância entre eles. Manteve-se a frente até que, por isso ou por aquilo, foi ultrapassado pelo dito. Foi atrás tentando recuperar a dianteira. Ele estava à direita e o outro à esquerda. Nisso, já na entrada da cidade, foi sinalizada a redução de uma das pistas da estrada – a da esquerda, onde ele estava. Não teve como   ir para direita que   já estava ocupada pelo outro e, sem tempo de reduzir, foi abalroado por ele, lateralmente. Ambos pararam, e ele consciente de que a culpa pelo acidente era compartilhada, não quis discutir e, irritado pelo acontecido, aos berros, exigiu que o cara continuasse seguindo seu ...

Tristeza

T . morava no mesmo prédio que eu,  com a filha de uns 5 anos e a mulher. O prédio ficava  numa cidade do litoral Sul de São Paulo, São Vicente.  T. tinha entre 40 e 50 anos, sempre bem vestido,  elegante como um executivo bem sucedido, e a mulher, muito bonita, aparentava ser bem mais nova do que ele. Eu, na época, tinha cerca de 15 anos, e o via entrar ou sair do prédio, indo ou voltando do trabalho, quase todos os dias. Aparentemente não tinha carro – aliás, naqueles dias, não era  comum alguém ter um.  Até aí nada de mais. Entretanto, o que eu enxergava nele era tristeza; nunca vi ninguém passar esse sentimento com tanta intensidade durante toda a minha vida. Era tão forte que chegava até a incomodar. Estava no seu jeito de andar, de falar e, especialmente, no seu olhar.  Até hoje, passadas cinco décadas, ainda me lembro perfeitamente daquele  olhar. E, ocasionalmente, ainda me pergunto:  ‘Por que ele era tão triste?’   Pr...

Tempo Presente

Seu dia era igual a todos os outros.   Havia perdido a filha e esposo num acidente de trânsito, mas estava se recompondo: mudou para uma outra casa que começou a reformar, começou a praticar fitness que havia abandonado já há algum tempo, estava fazendo um curso de aperfeiçoamento na faculdade, ... Enfim, retomou o curso da vida que havia sido bruscamente quebrado. Nesse processo, foi auxiliada pela psicóloga da pequena cidade onde morava, que lhe orientava e incentivava. Na reforma de sua casa, estava sendo ajudada pela sua amiga arquiteta, que lhe deu sugestões, fez um projeto e estava orientando a equipe que foi contratada para executar o serviço.  Essa casa foi comprada parcialmente mobiliada pois seus antigos proprietários haviam se mudado para o exterior. Ela até achou bom porque não quis levar nada que a prendesse ao passado que, infelizmente, passou.  Numa das visitas que fazia para acompanhar o andamento da obra, encontrou na biblioteca da casa um diá...