Todos os sábados e domingos, quando estava em casa, nas primeiras horas da manhã, olhava para o prédio vizinho ao meu e lá estava ele. Um senhor idoso, lendo seu jornal na varanda envidraçada do seu apartamento. Como esse era o horário em que eu saia para o meu fitness semanal, sempre o observava. Nesses dias, contava com a sua presença lá. Num determinado fim de semana, ele não apareceu. Ele devia ter ido viajar ou cumprir algum outro compromisso, pensei. Entretanto, de lá para cá ele não apareceu mais. Será que viajou? Ficou doente? Morreu? Ele nunca mais apareceu; acabei por não saber o que houve. Embora eu nunca tivesse tido oportunidade de conhecê-lo, até hoje sinto a sua falta. Refletindo sobre cheguei à conclusão que nos apegamos a muitas coisas; coisas que, em princípio, não teriam nada a ver com a nossa vida, com o nossos interesses, expectativas. Entretanto, isso ocorre. Por que? Ocorre porque todos os nossos...