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Um fim possível do ressentimento

Os anos 1960 sonharam com uma igualdade maior do que a econômica Estou convencido de que os anos 1960 continuam cruciais para entender nosso mundo. Meu interesse por eles não é só nostálgico —um entendimento melhor daqueles anos poderia nos ajudar, por exemplo, a interpretar a agitação das ruas de hoje, na Europa, na América Latina e na China. Talvez entender o que surgiu de novo nos 1960 nos permita entrever o que surge hoje. E perguntar: o que eles querem? Vivi os anos 1960 em parte na Europa, e em parte nos Estados Unidos. Participei da militância política estudantil (sobretudo na Itália) , mas hoje me parece que a contracultura americana me moldou mais do que a militância política. Essa separação entre contracultura e militância, de qualquer forma, não era estanque. Nos EUA , não havia só desbunde, mas também militância —pelos direitos civis e contra a guerra no Vietnã. E, inversamente, no maio francês ou na Itália ...