“Para Sallum, autor do livro ‘O Impeachment de Fernando Collor − sociologia de uma crise’, de(2015 o ‘impeachment’ de Collor se insere num processo de redefinição das relações entre Executivo e Legislativo. Assim como outros governantes − mas em grau exacerbado −, tinha Collor uma concepção algo imperial da Presidência. Era como se a eleição desse ao Executivo uma legitimidade maior que os demais poderes, e o Presidente tivesse delegação popular para conduzir o Estado a seu modo. Estaria dispensado de prestar contas dos seus atos aos demais poderes estatais. Era uma ideia plebiscitária da democracia − o essencial seria a escolha do líder pela maioria dos cidadãos. Nesse sentido, invocava seus 35 milhões de votos no segundo turno como uma autorização para agir autocraticamente. Nisso, porém, contrariava o espírito da Constituição de 1988 que reforçara o papel do Legislativo, Judiciário e Ministério Público. O descompasso desembocaria no ‘impeachment’: ficaria claro q...