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Mostrando postagens com o rótulo AMIGOS

Relacionamentos

Um Homo Sapiens mediano é incapaz de conhecer intimamente mais de 150 indivíduos.   Ao tentar resumir a identidade de alguém, frequentemente as pessoas fazem uma espécie de lista de traços comuns. É um erro. Estariam mais bem servidas se fizessem uma lista de conflitos e dilemas comuns. Os humanos são animais sociais, e daí sua felicidade depende em grande medida de seus relacionamentos. Sem amor, amizade e comunidade, quem poderia ser feliz? Se você vive uma vida solitária e centrada em você mesmo, é quase certo que se sentirá um miserável. Assim, para ser feliz, no mínimo você precisa se importar com sua família, seus amigos e com os membros de sua comunidade.   (Yuval Noah Harari, ’ 21 Lições para o século 21 ’) Entretanto, nem todas os relacionamentos são para sempre, como demonstram os depoimentos abaixo, prestados pelo ‘Luiz’ (nome fictício) . Cada um de nós está sempre em constante transformação, ficando assim difícil manter os sentimentos indefinidamente. D...

Sentimentos

Augusto sempre se interessou por arte. Começou ainda na adolescência a frequentar cursos de desenho e de pintura.  Jovem ainda, já era um pintor conhecido no meio artístico da sua cidade e, mais tarde, em torno dos seus 60 anos, do seu país, do mercado internacional. O tema de seus quadros variava. Era como um escritor que, de repente toma contato com algum fato ou fala, e percebe que aquilo daria um bom tema, começa escrever e a obra vai tomando corpo sozinha, como se já não dependesse mais dele. Mas, ultimamente, parecia que havia esgotado todos os temas - estava sem ideia do que pintar. Refletindo, ocorreu que nas suas seis décadas de existência,  tivera oportunidade de passar por momentos significativos, que ficaram marcados para sempre na sua memória e que, só por isso, mereciam ser imortalizados numa obra de arte. Começou a listar esses momentos e percebeu que não foram tantos assim. O que mais lhe marcou foram algumas pessoas e alguns lugares que, por isso ou...

Grande Família

Luis e Cláudia eram dois jovens quando se conheceram.  Participavam de diferentes grupos de amigos no Colégio, e disputavam a atenção dos demais colegas em todos os eventos. Muitas vezes criticavam um ao outro, e raramente se confraternizavam - estavam sempre em campos opostos. Passaram-se os anos, e, oportunamente se reencontraram.  Agora não eram mais aqueles jovens do passado. Ambos haviam se formado, trabalhavam como executivos bem sucedidos em grandes empresas,  e tinham  constituído família. Conversaram e ficaram sabendo que ambos haviam se separado de seus cônjuges recentemente, e que cada um havia ficado com a guarda de seus filhos adolescentes – ele com três e ela com dois. Contaram suas histórias um para o outro e, surpreendentemente, notaram que aquele antagonismo do passado não mais existia. Muito pelo contrário. Comentaram um com o outro sobre o relacionamento anterior e, coincidentemente, ambos pretendiam realizar uma ‘Mudança’ em suas vidas, e...

Sonho

O país em que Luisa vive, o Brasil,  está,  já há algum tempo, em crise: desemprego,  inflação subindo de forma recorrente, instituições públicas desacreditadas, instituições privadas evitando investir mais dinheiro. Ninguém consegue vislumbrar um bom final -  pelo menos a curto e médio prazo. Ela é uma jovem com  cerca de 25 anos, com curso superior, especializações, fala mais de um idioma – enfim é alguém que está preparada e que, normalmente, interessaria ao mercado. Entretanto, mesmo assim, muitos de seus colegas perderam o emprego e não estão  conseguindo se recolocar. Ela está receosa, preocupada, antecipando a possibilidade de que algum desdobramento possa colocá-la numa posição vulnerável.  Além disso, a cidade onde mora, São Paulo, está paralisada por um trânsito insuportável; o bairro onde vive, tem assaltos com frequência; as áreas públicas estão deterioradas, pichadas; .... Ouviu que muitas pessoas, de todas as idades e setores so...

Ser Feliz

Num casebre mal iluminado, um idoso, dormitando, tentava escrever para seu filho João, que estava vivendo em São Paulo. A vela tremia  quando o vento entrava pela janela sem vidros. Já era tarde e o dia tinha sido duro para ele, embora tivesse desde sempre trabalhado pesado na pesca de arrastão. “ Meu bom filho, teja bem na graça de Deus. Aqui a miséria campeia como mato bravo em roçado, e, além disso, te tenho muito sodade. Porisso, quero muda prá aí, prá vive com ocê, com tudo de bom que Sum Paulo deve ter...” “Meu pai, não venha para cá. A cidade é muito grande, tudo é bonito e diferente. Mas, essa beleza toda não modifica muita coisa. Tenho tanto dinheiro no bolso como quando saí daí. Para se viver aqui, tem que se gastar muito; então, não adianta ganhar mais. Muitos anos se passaram, já tenho mais idade, entretanto não sou bem feliz como imaginava que poderia ser quando vim para cá; muito pelo contrário. Talvez seja porque  estou longe dos  meus amigos d...