T . morava no mesmo prédio que eu, com a filha de uns 5 anos e a mulher. O prédio ficava numa cidade do litoral Sul de São Paulo, São Vicente. T. tinha entre 40 e 50 anos, sempre bem vestido, elegante como um executivo bem sucedido, e a mulher, muito bonita, aparentava ser bem mais nova do que ele. Eu, na época, tinha cerca de 15 anos, e o via entrar ou sair do prédio, indo ou voltando do trabalho, quase todos os dias. Aparentemente não tinha carro – aliás, naqueles dias, não era comum alguém ter um. Até aí nada de mais. Entretanto, o que eu enxergava nele era tristeza; nunca vi ninguém passar esse sentimento com tanta intensidade durante toda a minha vida. Era tão forte que chegava até a incomodar. Estava no seu jeito de andar, de falar e, especialmente, no seu olhar. Até hoje, passadas cinco décadas, ainda me lembro perfeitamente daquele olhar. E, ocasionalmente, ainda me pergunto: ‘Por que ele era tão triste?’ Pr...