O menino se encontrou caminhando por uma rua de uma cidadezinha desconhecida, sem saber quem era, de onde tinha vindo nem para onde estava indo. Vestia-se como os demais meninos de sua idade que via pela rua. Mas, além disso, não sabia mais nada. Começou a observar as pessoas. Viu uma moça de pernas grossas, baixa, meio gordinha que caminhava com os pés virados para o lado externo; um homem enorme, de barba escura, que tomava cerveja num bar, com os cotovelos apoiados no balcão, falando muito alto com todos com sua voz grossa; um padre apressado, magrinho, que cumprimentava quem encontrava, demonstrando no cumprimento sua timidez e gagueira. Ele pensou: ‘Que pessoas estranhas... Onde vim parar?’ Depois, refletindo, considerou que todos podiam ser pessoas normais, e que apenas ele estava percebendo suas características, porque não conhecia ninguém e as estava observando. Quando estamos num meio familiar, nem notamos direito as pessoas; já sabemos como elas são fi...