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Mostrando postagens com o rótulo LIVRO

Ao se isolar, Thoreau aprendeu a perder o medo da solidão

Autor americano impôs a si uma quarentena para reavaliar a forma como vivemos, e contou tudo em 'Walden',  1854 O escritor americano Henry David Thoreau, 1817-1862 Amigos ansiosos, temendo o efeito da quarentena em suas cabeças, pediram dicas pessoais e literárias para sobreviver. No meu caso, elas convergem –não tenho nada para lhes oferecer que não tenha aprendido com ‘Walden’, de Henry David Thoreau. Obra estranha, essa, para um urbano-depressivo como eu. Não seria capaz de viver na mata. A natureza, como alguém dizia, são bichos comendo outros bichos —até o momento em que eles percebem que o nosso próprio corpo é o melhor manjar. Sou um eremita das cidades. O cheiro dos escapamentos é para mim Chanel N° 5 . Mas quem disse que ‘Walden’ só funciona para quem abandonou a civilização e se entregou à vegetação selvagem? A obra de Thoreau é o relato de uma pausa —uma quarentena de dois anos e dois meses– em que o autor, em 1845 , se propõe ‘viver deliber...

Descobrindo a sabedoria do Tao

Tao Te Ching, edição Wang Bi, Japão, 1770 ‘Tao Te Ching’ é o livro de sabedoria mais traduzido do qualquer outro livro no mundo, com exceção da Bíblia. Muitos estudiosos consideram esse clássico chinês um tratado supremo da natureza da vida. Esse antigo texto, composto por 81 versos, descreve um modo de viver equilibrado, moral e espiritual, que funciona para todos os aspectos da vida na Terra. A lenda diz que o Tao Te Ching foi escrito por Lao-tzu, um profeta que também era o guardião dos arquivos imperiais na antiga capital Luoyang. Ao assistir a decadência no período dos estados em guerra, Lao-tzu decidiu seguir em direção ao oeste, até o deserto. No desfiladeiro de Hanku, um porteiro chamado Yin Hsi, conhecendo a reputação de Lao-tzu como homem sábio, implorou a ele que registrasse a essência dos seus ensinamentos. Dessa maneira nascia o Tao Te Ching, na forma de cinco mil caracteres chineses. Atualmente ele sobrevive em milhares de versões, em praticamente tod...

Anatomia - Livro Nazista

Ilustrações do ‘Atlas de Pernkopf’ foram criadas a partir dos cadáveres de prisioneiros do regime de Adolf Hitler Ilustração do pulmão do livro de 1937 Um atlas de anatomia, que só foi criado devido à morte de centenas de pessoas assassinadas pelo regime nazista, é usado até hoje por cirurgiões de todo o planeta. As imagens são tão detalhadas que muitos consideram o livro o ‘melhor’ exemplo em ilustrações anatômicas no mundo. Para produzir os desenhos, muitos cadáveres de prisioneiros políticos foram dissecados pelo autor do atlas, o médico nazista Eduard Pernkopf. Ao canal britânico BCC, a cirurgiã Susan Mackinnon contou que se sente pouco à vontade com a origem do livro, porém, ao mesmo tempo, não poderia fazer o seu trabalho sem consultá-lo — o atlas a ajuda a descobrir até mesmo pequenos nervos. Já Joseph Polak, que é rabino e sobrevivente do Holocausto, mas também professor de direito da saúde, disse que o livro é um ‘enigma moral’ pois é feito do ‘ma...

Robinson Crusoé

Completando 300 anos, 'Robinson Crusoé' é um clássico paradoxal. Mais do que aventura infantil, livro revela atitudes culturais perturbadoras Vista da cidade San Juan Batista, na Ilha Robinson Crusoé, arquipélago Juan Fernandez, no Oceano Pacífico    Em 25 de abril de 1719, há exatos 300 anos, o editor londrino William Taylor lançou um livro que veio a se tornar um dos mais famosos da história. A página de título original dizia ‘A Vida e as Estranhas e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoé de York, Navegador’, e trazia abaixo disso um subtítulo explicativo:  ‘Que viveu 28 anos solitário em um ilha desabitada na costa da América, perto da foz do grande rio de Oronoque; tendo sido levado à terra por um naufrágio, no qual pereceram todos os homens, exceto ele. Com um relato de como ele por fim foi estranhamente libertado por piratas’. E ao pé da página, as palavras mais importantes: ‘Escrito por ele mesmo’. A despeito das aparências, ‘...