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Superação


A primeira regra dos manuais de sobrevivência é a de que, diante de uma emergência ou ameaça, não podemos entrar em pânico. Mas como?

Emoção x Razão
Antônio, conversando com um amigo que se queixava sofrer frequentemente de lapsos de memória, comentou que, quando isso acontecia com ele, adotava um procedimento que o ajudava a recuperar o que queria lembrar.  
Consistia em relaxar, imaginar estar projetando dois raios de luz, saindo um de cada lado de sua cabeça em direção ao espaço. Procedendo assim, em seguida  quase sempre se lembrava do que havia esquecido.
Seu interlocutor perguntou qual era o fundamento dessa teoria. Esses raios de luz entrariam em contato com uma energia superior, comum para todos, onde estaria armazenado todo o conhecimento - inclusive nossas memórias?
Antônio respondeu sorrindo que se baseava no mesmo princípio que recomenda que, quando você estiver andando de bicicleta e se deparar com algum obstáculo imprevisto, não deve agarrar fortemente o guidão, buscando se proteger. O indicado, para superar a dificuldade com maior segurança, é relaxar, recuperar o equilíbrio
Quando nos abstraímos do problema que nos aflige, podemos conseguir fazer prevalecer o racional sobre o emocional. Assim, conseguiremos analisá-lo sob uma perspectiva mais objetiva, facilitando o encontro da melhor solução. Se você parar de ficar tentando resgatar algo em sua memória, a lembrança pode ocorrer com maior facilidade.

Poder da Fé
“…Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei.” (Marcos 5:28)

Todos estão sujeitos e sofrem, muitas vezes antecipadamente, com as fatalidades inerentes à vida. A principal delas é a certeza da morte.  Entretanto, essa preocupação começa a tomar força, a se tornar recorrente, à partir de uma certa idade. Até lá vamos sendo assombrados por outros medos: o de perdermos os nossos pais; não passarmos de ano na escola ou faculdade; do desemprego; de não conseguirmos pagar nossas contas; não arrumar ou perder um companheiro; criar bem os nossos filhos; e por aí vai.
Algumas crenças ajudam a suportar e a superar esses medos, principalmente as religiosas. Por exemplo, na religião católica, existe a figura de ‘Maria’ – uma mãe protetora; a do ‘Anjo da Guarda’, aquele espírito designado por Deus para nos proteger, desde pequenos contra os nossos inimigos, acidentalidades, adversidades, doenças, vícios, maldições ou qualquer eventualidade que possa nos prejudicar. Da esperança de, após a nossa morte, podermos, dependendo do nosso comportamento enquanto vivos, entrar no céu e desfrutar do paraíso celeste, da felicidade eterna. Há ainda a possibilidade de elegermos um ‘Santo Protetor’ – algum santo com o qual, dependendo de sua história, nos identifiquemos mais, a quem podemos recorrer nos momentos mais difíceis da nossa vida.
Tudo isso pode parecer besteira para alguns. Porém, para aqueles que estiveram em situações desesperadoras, e que não tiveram outra opção senão recorrer a esses abstracionismos, independentemente do resultado, representou um alívio muito importante nessa hora.
A explicação para esse alívio é que, nesse momento de prece, deixamos de pensar no problema como sendo apenas nosso. Nós o compartilhamos mentalmente e assim diminuímos o seu peso. Além disso, deixamos de pensar na causa da nossa aflição, pois  nosso pensamento está dirigido para aquelas figuras construídas no imaginário, fruto da nossa fé. 
A palavra Fé vem do Latim ‘fides’, que significa fidelidade. Fidelidade nesse caso às crenças que fomos incorporando durante a nossa vida, motivados por diversos fatores, sendo que o mais frequente é a insegurança, o desespero. Cremos porque, se não acreditarmos na possibilidade do extraordinário, nossa razão sinaliza que não haverá chance de conseguirmos superar aquela situação normalmente. 
Quando comungamos, recebemos aquela hóstia que representa o corpo de Cristo Jesus, com todo o seu significado. Se esse momento for devidamente vivenciado, ele se torna divino, levando a pessoa para um plano superior onde todos os seus problemas diários ou específicos perdem a importância. Em seguida a esse estado, assim que a razão for restabelecida, ficam facilitadas a idealização e tomada de providências necessárias para solução.
Saindo do campo religioso, podemos observar o mesmo efeito em outros tipos de fé. A daquele soldado que acredita que luta pelo futuro da sua pátria; a do ativista que luta pela sua causa; a do cientista que trabalha para obter o melhor resultado em suas pesquisas; etc.
Essa fé ajuda a superar todas as dificuldades que aparecerem. Essas pessoas lutam por um ideal que é muito mais importante do que qualquer esforço, sacrifício ou tempo que forem necessários. 

Dentro desse mesmo princípio, na área da educação, deveria ser dedicado mais tempo por parte dos educadores para estimular nos jovens a geração de sonhos, ideais, fé. Para tanto, antes de despertar o interesse deles pela ciência formal, seria importante demonstrar as possibilidades proporcionadas pelo conhecimento. Dessa forma, em algum momento, o interesse será despertado neles, e a energia gerada por esse sentimento aumentará sua confiança, e os ajudará a se tornarem capazes para superar o que tiver que ser, a conquistar o conhecimento que será a sua ferramenta e, finalmente, a realizar, alcançar o objetivo. Objetivo esse que, em determinado momento, eles visualizaram e, mesmo sem saber como, se dispuseram a andar em sua direção, a buscá-lo. 

Não é difícil inferir que alguém sem o poder da fé é menos forte, não tem a resistência e a persistência necessárias,  está mais propenso ao fracasso.   

'O ser humano é resultante dos seus ideais, das suas crenças, da sua fé; ou da falta deles'.  


“Nada melhor do que um sonho para criar um futuro”  Victor Hugo


(JA, Out18)

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