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O mar não está para Peixe

O crescimento da população mundial, o aumento da renda das classes médias e a modernização das embarcações impactam diretamente o fenômeno conhecido como sobrepesca - a captura excessiva de determinadas espécies de peixe. Quase todos os países a praticam e poucos, como a Nova Zelândia e os EUA, tomam medidas para combatê-la. Na semana passada, o bilionário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, amante e conhecedor da vida marinha, anunciou uma doação de 53 milhões de dólares para combater a sobrepesca. A iniciativa, chamada de ‘Oceanos Vibrantes’ promoverá mudanças de postura de pescadores profissionais, de modo a aumentar a polução de peixes nas Filipinas, no Chile e no Brasil. Ao lado do Chile e das Filipinas, o Brasil é um dos beneficiados do projeto de pesca sustentável lançado pela Fundação Bloomberg Philanthropies. Apesar dos 8500 quilômetros de extensão, a costa brasileira tem uma fauna marinha frágil e escassa (produção nacional de pescado está em torno de 1 milh...

Lado bom de cada um

Hoje, véspera do feriado prolongado de Páscoa, muitas pessoas anteciparam suas viagens para evitar o congestionamento das estradas. Mas, nem todos. Alguns, como ele, tiveram que trabalhar e,  enfrentar o trânsito piorado das ruas e avenidas da grande cidade para se deslocar para cá e para lá. Entretanto, nesse mais parado do que em movimento, ele teve oportunidade de presenciar duas cenas muito parecidas que o levaram a refletir. Numa delas, um menininho, desses simpáticos, que vendem balinhas nos cruzamentos, passou oferecendo seus ‘produtos’. Ele, como a maioria dos que estavam parados aguardando o farol abrir,  não comprou. Porém, um dos motoristas buzinou chamando o garoto e lhe deu uma bela bola de futebol, dessas que ele certamente não poderia comprar. Ficou tão feliz que nem gradeceu direito. Saiu correndo e foi mostrar para a mãe e as irmãs que estavam sentadas num gramado, numa praça próxima. Chegou jogando as balinhas de qualquer jeito, mostrando a bola como a...

O fato e a lenda

Os contos de fadas constituem uma variação do conto popular ou fábula.  Têm uma narrativa curta, cujo enredo nasce partir de um motivo principal, o qual é desenvolvido procurando transmitir conhecimentos e valores culturais,  de geração para geração. Normalmente, o herói ou heroína, é do bem,  tem que enfrentar grandes obstáculos antes de triunfar sobre  o mal. Começam,  não raro com a expressão: ‘Era uma vez”. Esse ‘Era uma vez’  estabelece que os temas não se referem apenas ao seu presente (tempo e espaço), mas sim que os personagens e situações colocados fazem parte do cotidiano e do universo individual do leitor, com seus conflitos, medos e sonhos.  Neles são comuns situações que fazem parte do universo de cada um. Apresentam conflitos de gerações, a dificuldade da convivência entre crianças e adultos, as etapas da vida (nascimento, amadurecimento, velhice e morte), bem como sentimentos (amor, inveja, ódio, amizade). A proposta é oferecer ...

Sem ter muito para onde ir

Guilherme veio a mim, pediu um cigarro. Desculpe Guilherme, eu não fumo (e você também não deveria; mas quem sou eu pra julgar?). Guilherme sentou um pouco longe, e, tremendo de frio, encolheu-se e cobriu-se com seu cobertor cor de vinho. Havia mais gente por ali, e ele interagia com as pessoas:  "meninas, como vocês estão bonitas. estou com fome, têm um trocado pra me dar?", e "tio me dá uma moeda.",  foram algumas das frases dele. Uma grupo de  moças estava gravando um vídeo por ali. Elas  foram até uma lanchonete fast food ao lado e, na volta, deram ao Guilherme um lanche. Uma delas ainda teve o carinho de abrir o canudo e colocar no copo de refri. Guilherme agradeceu e gritou "vão com Deus, meninas. Obrigado!". Estávamos ali sentados, lado a lado, e o Guilherme pediu:  "Tio, tira uma foto minha?". Foi aí que eu senti:  Guilherme era só um garoto, sem ter muito pra onde ir. Guilherme queria apenas existir. "Tio, tira ...

Valorização do Bem

Pelo noticiários diários fica claro que está havendo uma tendência de alta na quantidade de atos cruéis praticados contra pessoas comuns. A maldade invade nossos carros, nossas casas, nossas escritórios, nosso restaurante, nossas ruas. Não sabemos aonde isso vai parar: ladrões colocam fogo na pessoa  por ela não ter o que eles queriam roubar; grupo de pessoas  tidas como responsáveis, inteligentes, ‘Normais’, enfrentam a polícia, incendeiam coletivos, quebram vidros de agências bancárias e destroem patrimônio público e agridem policiais; ladrão mata a vítima, mesmo ela tendo entregue o que ele queria; sem motivo aparente, alguém captura gato caseiro e retira brutalmente parte do seu couro e o solta; e por aí vai.  O que está acontecendo? Existem muitas explicações para essa degradação moral, para essa banalização do mau.  Diante da dificuldade em explicar, creio que para valorizar o bem, cada um, dentro das suas possibilidades, poderia fazer o seguinte: ...

Tempo Presente

Seu dia era igual a todos os outros.   Havia perdido a filha e esposo num acidente de trânsito, mas estava se recompondo: mudou para uma outra casa que começou a reformar, começou a praticar fitness que havia abandonado já há algum tempo, estava fazendo um curso de aperfeiçoamento na faculdade, ... Enfim, retomou o curso da vida que havia sido bruscamente quebrado. Nesse processo, foi auxiliada pela psicóloga da pequena cidade onde morava, que lhe orientava e incentivava. Na reforma de sua casa, estava sendo ajudada pela sua amiga arquiteta, que lhe deu sugestões, fez um projeto e estava orientando a equipe que foi contratada para executar o serviço.  Essa casa foi comprada parcialmente mobiliada pois seus antigos proprietários haviam se mudado para o exterior. Ela até achou bom porque não quis levar nada que a prendesse ao passado que, infelizmente, passou.  Numa das visitas que fazia para acompanhar o andamento da obra, encontrou na biblioteca da casa um diá...

Mundos Paralelos

Ele teve uma origem muito simples. Seus pais, como tantos, vieram do interior para uma grande cidade, sem formação superior, aprenderam uma profissão, trabalharam, criaram uma família. Procuraram dar para os seus filhos aquilo que eles não tiveram  - estudo. Imaginavam que assim eles teriam maiores oportunidades e facilidades do que tiveram.   Verdade. Entretanto, o que eles legaram para seus filhos, mais do que tudo, foi a consciência de que eram capazes de qualquer coisa, que tinham uma origem especial e uma  força que sempre os ajudaria, em qualquer situação. De onde tiraram isso, não se sabe, mas acreditavam e passaram para eles.   Sempre ajudaram a todos que precisaram, sem medir esforços. Quantas vezes, ao chegar em casa ele encontrava uma família, às vezes estranha, com seus móveis espalhados pelos ambientes – haviam perdido a sua própria casa e, momentaneamente não tinham para onde ir. Eram ali recebidos, acolhidos. Ali também frequentemente havia um...