Pular para o conteúdo principal

Penso, Logo Existo

  

Pensamento

O filósofo francês Renê Descartes, 1596-1650, definiu a base da existência com a frase: ‘Penso Logo Existo’.

Mesmo tendo frequentado as melhores universidades da Europa, Descartes achava que não tinha aprendido nada de substancial (com exceção da matemática) em seus estudos.

Todas as teorias científicas acabavam por ser refutáveis e substituídas por outras, não havia nenhuma certeza verdadeira além da dúvida. Descartes, então, passou a duvidar de tudo, inclusive da sua própria existência e do mundo que o rodeava.

No entanto, Descartes encontrou algo que não poderia duvidar: a dúvida. De acordo com o pensamento do filósofo, ao duvidar de algo já estaria pensando e, por estar duvidando, logo pensando, estaria existindo. Desta forma, a sua existência foi a primeira verdade irrefutável que ele encontrou.

Renê Descartes, Francês, 1596-1650


Descartes publicou em seu livro ‘O Discurso do Método’, em 1637, o resumo de seu pensamento na frase: je pense, donc je suis (publicação original em francês), que depois foi traduzida para o latim ‘Ego cogito, ergo sum’. Apesar disso, em latim esta frase é traduzida apenas como ‘cogito ergo sum’.

Frase original: ‘Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe’. (Já que eu duvido, eu penso; já que eu penso, eu existo). 

Escrita 

Como para cada texto escrito, o autor, independentemente do tema, teve que pensar, é válido também afirmar: ‘Escrevo, Logo Existo’.

Escrever sobre personagens, fatos históricos, ocorrências, conecta o que pode ser uma verdade do passado com o futuro e, eventualmente, as adapta para uma outra realidade.

A existência de Hemingway, por exemplo, continua a existir no nosso imaginário devido à sua escrita, vindo confirmar o ‘escrevo, logo existo’. 

Lembrança 

 

Uma outra afirmação também pode ser feita: ‘Sou Lembrado, Logo Existo’.

O indivíduo pode ser lembrado por vários motivos: pelas suas ações, palavras, escritos, e, se você é lembrado, de alguma maneira, continuará existindo, independentemente do tempo passado.

Enquanto alguém lembrar de você, sua morte será parcial. Assim, nossos colegas e parentes podem continuar existindo, independentemente de terem ‘partido’. Eles podem não ter sido famosos, nem terem feito nada impactante, mas terem garantida a imortalidade, através de uma autêntica e sincera saudade.

A morte do pai de um de um amigo, fez brotar revelações comoventes.

Ele contou que, apesar de muito ligado ao pai, desconhecia certas atitudes de seu passado, que nunca haviam sido comentadas.

Os relatos chegaram de ex-colegas de profissão do pai, de habitantes da cidade do Interior onde o pai morou quando jovem, de funcionários que haviam trabalhado para ele, de gente que nem ao menos o conheceu pessoalmente, mas que havia sido beneficiada por seus gestos. Para além de todo seu histórico de bom pai, bom marido e bom avô, meu amigo descobriu que ele havia sido, dentro da sua universalidade, um homem gentil e, portanto, eterno, não só para a família.

Como uma coisa puxa a outra, na palestra online que a ‘The School of Life’ promoveu recentemente com o psicanalista Irvin D. Yalom, autor de ‘Quando Nietzsche Chorou’, e outros livros sobre relações pessoais, já com a idade avançada, e vivendo o luto de uma recente viuvez, ele disse:

‘Nossa imortalidade está condicionada à nossa gentileza, à maneira como tratamos conhecidos e desconhecidos’.

Prosaico e profundo. A cordialidade nos manterá vivos na lembrança de quem conviveu conosco. Nem bens materiais, nem prêmios, nem festas, nem feitos: quando chegarmos ao final, nada contará tanto quanto nossos bons modos, nosso olhar amoroso, e nossa disponibilidade para o afeto. 

Arte ou Ações

 

Outras pessoas poderão trocar o ‘Escrevo, Logo Existo’, por Desenho, logo existo; Canto, logo existo; Danço, logo existo etc., pois cada obra de arte carrega eternamente em si um pensamento, uma emoção, que o seu autor pretendeu transmitir. A lembrança criada pelas obras de arte na mente de seus admiradores dão vida aos seus autores.

Quem, de alguma forma, consegue impactar outras pessoas, criar uma forte lembrança, ganhará vida, permanecerá existindo, independentemente da presença física, do tempo decorrido.

Ludwig van Beethoven Born: 16th December 1770 Died: Never

A existência do Shackleton foi pela navegação: Navego, logo existo. Steve Jobs, um caso recente que vai ficar marcado na história poderia ser: Inovo, logo existo.

Portanto, as ações de cada um, a forma como conduziu a sua existência, suas relações, o que produziram, podem garantir a sua imortalidade, materializando a frase de Descartes e as decorrentes.

Essas conclusões criam um alento, confortam, pois nos fazem acreditar que, independentemente da finitude natural da vida, que sempre afligiu a humanidade, ‘morre’ cedo quem quer.

 

Fonte: A.J. Cardiais | Crônicas da Martha | Significados

 

(JA, Nov21)

 


Postagens mais visitadas deste blog

Grabovoi - O Poder dos Números

O Método Grabovoi  foi criado pelo cientista russo Grigori Grabovoi, após anos de estudos e pesquisas, sobre números e sua influência no nosso cérebro. Grigori descobriu que os números criam frequências que podem atuar em diversas áreas, desde sobrepeso até falta de concentração, tratamento para doenças, dedicação, e situações como perda de dinheiro. Os números atuam como uma ‘Código de desbloqueio’ dentro do nosso inconsciente, criando frequências vibratórias que atuam diretamente na área afetada e permitindo que o fluxo de informações flua livremente no nosso cérebro. Como funciona? As sequências são formadas por números que reúnem significados. As sequências podem ter  1, 7, 16, ou até 25 algarismos, e quanto mais números, mais específica é a ação da sequência. Os números devem ser lidos separadamente, por exemplo: 345682 Três, quatro, cinco, seis (sempre o número seis, não ‘meia’), oito, dois. Como praticar Você deve escolher uma das sequencias num

Thoth

Deus da lua, juiz dos mortos e deus do conhecimento e da escrita, Thoth (também Toth, ou Tot, cujo nome em egípcio é Djehuty) é um deus egípcio, representado com cabeça de íbis. É o deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia. Filho mais velho do deus do sol Rá, ou em alguns mitos nascido da cabeça de Set, era representado como um homem com a cabeça da ave íbis ou de um babuíno, seus animais sagrados.   Sendo o deus associado com o conhecimento secreto, Thoth ajudou no sepultamento de Osíris criando a primeira múmia. Era também o deus das palavras, da língua e posteriormente os gregos viam este deus egípcio como a fonte de toda a ciência, humana e divina, do Egito. O culto de Thoth situava-se na cidade de Khemenou, também referida pelos gregos como Hermópolis Magna, e agora conhecida pelo nome árabe Al Ashmunin. Inventor da escrita Segundo a tradição, transmitida também por Platão no diálogo Fedro, Thoth inventou a escrita egípc

Por que Jesus dobrou o lenço?

‘E que o lenço, que estivera sobre a cabeça de Jesus, não estava com os panos, mas enrolado num lugar à parte’.(João 20:7) Por que Jesus dobrou o lenço que cobria sua cabeça no sepulcro depois de sua ressurreição? Você já deteve sua atenção a esse detalhe? João 20:7 nos conta que aquele lenço que foi colocado sobre a face de Jesus não foi apenas deixado de lado como os lençóis no túmulo. A Bíblia reserva um versículo inteiro para nos contar que o lenço fora dobrado cuidadosamente e colocado na cabeceira do túmulo de pedra. Bem cedo pela manhã de domingo, Maria Madalena veio à tumba e descobriu que a pedra havia sido removida da entrada. Ela correu e encontrou Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus tanto amara. Disse ela: ‘Eles tiraram o corpo do Senhor e eu não sei para onde eles o levaram’. Pedro e o outro discípulo correram ao túmulo para ver. O outro discípulo passou à frente de Pedro e lá primeiro chegou. Ele parou e observou os lençóis lá,