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País em Processo

Não é novidade para ninguém que o Brasil vive hoje uma crise sem precedentes. E, essa crise não é extemporânea. É algo que vem se desenvolvendo há séculos, desde  a sua origem, quando da colonização portuguesa, até que chegou à situação atual. Generalizando, os brasileiros de então, do seu ponto de vista, bem como o Brasil, eram explorados pelos portugueses. E, para compensar, não perdiam nenhuma oportunidade, para roubá-los, deixar de pagar impostos, conquistar territórios, enfim levar vantagem. Hoje somos representados, liderados, por pessoas que, embora tenham se livrado dos colonizadores, conservaram os vícios atávicos dos nossos antepassados, e utilizam seu poder, principalmente, para mantê-lo. Eles  sabem que, historicamente, detendo o poder, terão grande facilidade para manter e auferir grandes ganhos e patrimônio.  Chegamos hoje a uma situação limite: baixa produtividade, empresas encerrando suas atividades, desemprego, inflação, povo com d...

Livro da Vida

Robson era um jovem que acabara de fazer 18 anos. Havia prestado exame vestibular para engenharia e conseguira ser aceito na faculdade. Como as aulas ainda não haviam começado, resolveu visitar seu avô que morava numa cidade do interior de São Paulo.  Por problemas familiares – sua mãe não se dava com o avô, ele tivera pouco contato com ele até então. Essa era a primeira vez que o visitava.    Sabia que seu avô, Leonardo, havia sido professor universitário, que era um homem muito articulado e culto. Entretanto, nunca imaginara encontrar alguém como ele. Simples, de bem com a vida, simpático, carismático. Conseguia se expressar de uma forma que levava a quem o ouvia, a entender seu pensamento e a acreditar no que ele dizia. Robson não estava acostumado a conversar com pessoas mais velhas. Em casa não era muito próximo da mãe e seu pai sempre com pressa, tendo o que fazer.  Então, considerou aquela uma oportunidade muito boa para aproveitar a experiência de...

Sentimentos

Augusto sempre se interessou por arte. Começou ainda na adolescência a frequentar cursos de desenho e de pintura.  Jovem ainda, já era um pintor conhecido no meio artístico da sua cidade e, mais tarde, em torno dos seus 60 anos, do seu país, do mercado internacional. O tema de seus quadros variava. Era como um escritor que, de repente toma contato com algum fato ou fala, e percebe que aquilo daria um bom tema, começa escrever e a obra vai tomando corpo sozinha, como se já não dependesse mais dele. Mas, ultimamente, parecia que havia esgotado todos os temas - estava sem ideia do que pintar. Refletindo, ocorreu que nas suas seis décadas de existência,  tivera oportunidade de passar por momentos significativos, que ficaram marcados para sempre na sua memória e que, só por isso, mereciam ser imortalizados numa obra de arte. Começou a listar esses momentos e percebeu que não foram tantos assim. O que mais lhe marcou foram algumas pessoas e alguns lugares que, por isso ou...

Parque das Aves – Foz do Iguaçu

      “Eu gosto de aves. Criaremos um Parque das Aves." (Dennis Croukam) Eu e minha família estivemos recentemente em Foz do Iguaçu. Lá tivemos oportunidade de visitar e conhecer um espaço muito especial que nos deixou admirados pela sua proposta - preservação das inúmeras espécies de pássaros -,   e pela qualidade do tratamento prestado aos animais que ali vivem, em locais adequados para suas necessidades de deslocamento, de alimentação e procriação. Esses animais estão disponíveis para visitação pública.  Ficamos também surpresos pelo fato da iniciativa de sua implantação ter sido de um estrangeiro visionário, apaixonado por aves, vindo da Namíbia, Dennis Croukamp, e sua esposa Anna. Um empreendimento tão interessante, principalmente para um país onde a natureza teve e tem um papel cultural tão significativo, e ainda tão pouco divulgado.       Familia Croukamp na Namíbia A história do Parque das Aves começa no sudoest...

Arquétipo de cada um

Natanael , embora tudo na sua vida corresse normalmente - estudo, trabalho, relações, etc., sentia-se incomodado, como se faltasse alguma coisa.  O tempo passava e a sensação persistia.   Aconselhado por uma amiga, foi procurar um professor da faculdade, psicanalista, filósofo e físico. Marcou um horário com ele, e compareceu conforme agendado. O professor era um senhor que aparentava ter uns setenta anos, calmo e sério.  Natanael colocou seu problema. Ele ouviu, e começou a lhe explicar uma teoria que mudaria seu modo de encarar a si próprio, os fatos, as coisas. Professor Alberto, esse era o seu nome, começou dizendo que, antes de dar um diagnóstico, gostaria de saber mais sobre os seus ascendentes: quem eram o que faziam, qual era a imagem que todos guardavam deles, ...  Explicou que, na geração de cada ser humano, toda energética dos pais, avós e ascendência, é transmitida para aquele novo ser. Em decorrência, ele herda aspectos psicológicos, que aca...

Humano Humano

O que caracterizava determinadas pessoas daquele período, as pessoas da 'Geração E', como eram chamadas, era a sua rara sensibilidade. Tinham uma percepção tão desenvolvida que captavam os menores sinais e, dado ao seu elevado nível de inteligência, tinham a capacidade de classificar e tirar conclusões, rápida e raramente  incorretas.   Eram discretas e, aparentemente, tinham também facilidade para se localizarem entre si, e acabavam se reunindo em grupos socais, de trabalho ou de estudo. Naturalmente, tinham interesses e opiniões de modo geral coincidentes. Isto facilitava a aproximação e o desenvolvimento de uma relação mais duradoura.  Chris e Peter pertenciam a esse tipo de pessoas, e tinham interesses voltados mais para o social. Preocupavam-se com a exclusão social de algumas pessoas - por falta de estudo, doença, desemprego, ou idade,...; com os gastos púbicos excessivos, sem a prestação de serviços públicos básicos suficientes e de boa qualidade; com o ex...

Realidade Idealizada

Alfredo era um homem de cerca de 40 anos. Bem sucedido pessoal e profissionalmente, levava uma vida tranquila, sem stress. Tudo acontecia para ele no momento certo. Não tinha ambições pessoais pois o que tinha era suficiente para ser feliz. Um dia, refletindo, pensou que talvez devesse ter mais ambições, fazer mais coisas, considerando que tudo que desejou, planejou, conseguiu realizar, sem grandes dificuldades.  Será que não deveria aumentar o nível de seus objetivos? Talvez. Mas por que, se ele era feliz vivendo como vivia? Lembrou-se de uma vez, quando ainda era adolescente, na época em que ainda fumava, ao sair do cinema, colocou o cigarro na boca e constatou que não tinha fogo. Andando pela calçada, com o cigarro apagado ainda na boca, bateu num portão semiaberto de uma casa. Sobre ele, havia uma caixa de fósforos – exatamente o que precisava naquele momento.  Acendeu seu cigarro,  surpreso com o a coincidência, re colocou a caixa de volta e continuou andand...