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Arquétipo de cada um



Natanael , embora tudo na sua vida corresse normalmente - estudo, trabalho, relações, etc., sentia-se incomodado, como se faltasse alguma coisa.  O tempo passava e a sensação persistia.  Aconselhado por uma amiga, foi procurar um professor da faculdade, psicanalista, filósofo e físico.
Marcou um horário com ele, e compareceu conforme agendado. O professor era um senhor que aparentava ter uns setenta anos, calmo e sério.  Natanael colocou seu problema. Ele ouviu, e começou a lhe explicar uma teoria que mudaria seu modo de encarar a si próprio, os fatos, as coisas.
Professor Alberto, esse era o seu nome, começou dizendo que, antes de dar um diagnóstico, gostaria de saber mais sobre os seus ascendentes: quem eram o que faziam, qual era a imagem que todos guardavam deles, ... 
Explicou que, na geração de cada ser humano, toda energética dos pais, avós e ascendência, é transmitida para aquele novo ser. Em decorrência, ele herda aspectos psicológicos, que acabam por influenciar os físicos, além de assimilar uma conduta que só houvera em seus ascendentes, muitas vezes, os mais remotos.   Portanto, o fator energético desses ancestrais, a energia vital que definiu o seu modo de conduta, concepção de vida e de ideal,  a sua existência enfim, precisa ser pesquisada, caso a caso, para permitir a perfeita compreensão de quem cada um deveria ser. 
Quando não houver coincidência entre o que a pessoa é, o que ela deveria ser, ou seja, quando essa força foi, por algum motivo, impedida de se manifestar plenamente, ocorre um transtorno que a leva a alguma patologia.  
A consciência individual é o elemento mais energético de cada pessoa, devido à junção do sentimento e intelecto. A consciência capta direto da mente as formas substanciais de todas as coisas, transformando-as em conhecimentos. É nesse sentido que podemos dizer que a sabedoria vem do alto. Quando a consciência é interrompida, por qualquer motivo, surgem as doenças. Isso ocorre porque há então uma estagnação psicoenergética, impedindo que a pessoa tenha contato com as estruturas substanciais que alimentam a sua vida psíquica.  
Assim, para se ter boa saúde, física e mental, e capacidade de desenvolvimento em todos os setores, há necessidade vivermos conscientemente e de acordo com a nossa energia escalar (essencial). Nossos sentimentos e ideias boas, em contato com as diversas realidades que vivenciamos durante a nossa existência, nos levam a um melhor entrosamento conosco mesmo, proporcionando, em decorrência, um sentimento de realização, satisfação, de plenitude.
Tendo exposto essas ideias, Prof. Alberto pediu que Natanael fosse para casa e refletisse sobre tudo o que ele falou. Marcou nova data e horário, para a próxima semana.
Natanael, pensando em tudo o que havia ouvido, lembrou que, por coincidência ou não, ultimamente vinha pensado e tendo sonhos recorrentes com seus pais, tio, avós, e até com pessoas que não conhecia, mas que lhe pareciam muito familiares.  Seria coincidência?
Começou a refletir e definir conscientemente cada um deles. Quem eles foram, o que pensavam, o que diziam, o que faziam. Observou que, realmente, carregava muito deles na sua forma de pensar, de se comportar.   Será que suas atitudes e reações,  estariam contrariando o modo de ser de algum deles?  Em alguns casos sim. Pode até imaginar as críticas do seu pai, os comentários de sua mãe, as observações dos parentes próximos. Estariam eles certos? Deveria rever e ajustar algum comportamento que estaria tendo?
Na semana seguinte, Natanael levou suas observações para o professor.  Ele, antes mesmo de ouvi-las, comentou que o que cada ser humano herda ao nascer é a melhor psicogenética possível. Ela inicialmente é perfeita. Se é degradada, o é em decorrência de alguma atitude errônea do proprio indivíduo.  Todos temos dois movimentos antagônicos que nos acompanham durante toda a vida. Por exemplo: quem ama, pode odiar também. O mais importante é a escolha individual, baseada no que se pensa e sente.  Assim, é preciso levantar o que temos e entendemos como sendo o nosso ser melhor, e procurar manter, priorizar.
Na sequência, Natanael comentou o que conhecia sobre os seus seu ancestrais, e como encarava aquela imagem que eles lhe deixaram.  Conforme foi relatando, foi ficando cada vez mais claro  para ele aquela pessoa em que ele se transformara. Percebeu que se orgulhava de algumas atitudes, que se envergonhava de outras, além das que considerava naturais. Mas, no finalmente, chegou à conclusão que não estava tão distante assim da sua devida realidade. Percebeu que o que lhe incomodava era o fato de, eventual e ultimamente, pretender ser alguém que ele não poderia ser - personagens romanticamente idealizados, que não tinham nada a ver com o seu eu mais autêntico, e que, portanto, deveriam ser renegados.
Aos poucos, e não sem dificuldade, Natanael foi eliminado os pensamentos, sentimentos e atitudes, que não tinham nada a ver com a sua origem, e a valorizar os melhores que tinham. Passou então a se sentir mais tranquilo, confiante, e a ter mais facilidade para atingir seus objetivos - alguns também atualizados.

“Nossa vida sempre continuará a existir, mesmo depois da nossa ‘passagem’. Aquela imagem, aquela energia, transmitidas pelos nossos pensamentos e sentimentos, continuarão a influenciar a humanidade, principalmente através dos nossos descendentes, de forma recorrente.”

 

Arquétipo: Nome dado por Carl Gustav Jung para definir estruturas inatas, que servem de matriz para a expressão e desenvolvimento da psique.

 

(JA, Jan16)

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