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Cidadania

“O historiador José Murilo de Carvalho é   um intelectual de qualidade, com respeitável obra. Num de seus livros, "Cidadania no Brasil", Carvalho toma como referência básica a linha de pensamento de T. H. Marshall , para quem a construção da cidadania se baseia na afirmação de três categorias de direitos: 1.         Civis, 2.         Políticos e 3.           Sociais. Para ser cidadão pleno, é preciso ser titular dos três direitos. Direitos civis são os fundamentais à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: garantia de ir e vir, escolher o trabalho, manifestar o pensamento, organizar-se, ter respeitada a inviolabilidade do lar e da correspondência, não ser preso exceto pela autoridade competente e segundo as leis, não ser condenado sem processo legal regular. Em outras palavras, liberdade individual. Direitos político...

Família Ideal

Luis e Cláudia eram dois jovens quando se conheceram.  Participavam de diferentes grupos de amigos no Colégio, e disputavam a atenção dos demais colegas em todos os eventos. Muitas vezes criticavam um ao outro, e raramente se confraternizavam - estavam sempre em campos opostos. Passaram-se os anos, e, oportunamente se reencontraram.  Agora não eram mais aqueles jovens do passado. Ambos haviam se formado, trabalhavam como executivos bem sucedidos em grandes empresas,  e tinham  constituído família. Conversaram e ficaram sabendo que ambos haviam se separado de seus cônjuges recentemente, e que cada um havia ficado com a guarda de seus filhos adolescentes – ele com três e ela com dois. Contaram suas histórias um para o outro e, surpreendentemente, notaram que aquele antagonismo do passado não mais existia. Muito pelo contrário. Comentaram um com o outro sobre o relacionamento anterior e, coincidentemente, ambos pretendiam realizar uma ‘Mudança’ em suas vidas...

Discordância Responsável

“A ideia de democracia se baseia no reconhecimento do outro. Nada tão antidemocrático como querer desqualificá-lo. Isso vale sobretudo para aquele outro que é mais diferente de mim, mais contrário, aquele que defende ideias que eu detesto. O direito democrático é, antes de tudo, o direito do outro. É celebre a tirada de que "o inferno são os outros". Ao criá-la, Sartre nos lembrou que o outro está sempre − e inevitavelmente − a nos frustrar, e que isso ocorre exatamente por causa de sua alteridade: ele é aquele que nos dá limites. Mas é por isso mesmo − ou seja, por nos impedir de bancar os totalitários − que ele nos faz bem e que essa interação é salutar. O regime democrático alimenta sua legitimidade na deliberação e no debate. Para que esse processo seja autêntico, é necessário que os atores sociais em cena participem com mente aberta, ou seja, estejam dispostos a rever suas opiniões a partir do momento em que escutam os pontos de vista dos demais, notadamente os ...

Grande Família

Luis e Cláudia eram dois jovens quando se conheceram.  Participavam de diferentes grupos de amigos no Colégio, e disputavam a atenção dos demais colegas em todos os eventos. Muitas vezes criticavam um ao outro, e raramente se confraternizavam - estavam sempre em campos opostos. Passaram-se os anos, e, oportunamente se reencontraram.  Agora não eram mais aqueles jovens do passado. Ambos haviam se formado, trabalhavam como executivos bem sucedidos em grandes empresas,  e tinham  constituído família. Conversaram e ficaram sabendo que ambos haviam se separado de seus cônjuges recentemente, e que cada um havia ficado com a guarda de seus filhos adolescentes – ele com três e ela com dois. Contaram suas histórias um para o outro e, surpreendentemente, notaram que aquele antagonismo do passado não mais existia. Muito pelo contrário. Comentaram um com o outro sobre o relacionamento anterior e, coincidentemente, ambos pretendiam realizar uma ‘Mudança’ em suas vidas, e...

Sonho

O país em que Luisa vive, o Brasil,  está,  já há algum tempo, em crise: desemprego,  inflação subindo de forma recorrente, instituições públicas desacreditadas, instituições privadas evitando investir mais dinheiro. Ninguém consegue vislumbrar um bom final -  pelo menos a curto e médio prazo. Ela é uma jovem com  cerca de 25 anos, com curso superior, especializações, fala mais de um idioma – enfim é alguém que está preparada e que, normalmente, interessaria ao mercado. Entretanto, mesmo assim, muitos de seus colegas perderam o emprego e não estão  conseguindo se recolocar. Ela está receosa, preocupada, antecipando a possibilidade de que algum desdobramento possa colocá-la numa posição vulnerável.  Além disso, a cidade onde mora, São Paulo, está paralisada por um trânsito insuportável; o bairro onde vive, tem assaltos com frequência; as áreas públicas estão deterioradas, pichadas; .... Ouviu que muitas pessoas, de todas as idades e setores so...

O guardião do Mosteiro

“Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranquilidade, falou: ‘- Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.’ Então ele colocou uma mesinha magnifica, no centro da enorme sala onde estavam reunidos e, sobre ela , pôs um vaso de porcelana muito raro. E disse apenas: ‘- Aqui está o problema!’ Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ... ZAPT!... DESTRUIU O VASO COM UM SÓ GOLPE. Tão logo o discípulo retornou ao seu lugar, o Mestre disse: ‘- Parabéns! Você é o novo guardião do Mosteiro.’ Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser e...

Pintando a Vida

Vincent  nasceu em 1853 em numa pequena cidade holandesa, Zundert. E, embora fosse filho de um pastor calvinista, foi sempre uma criança rebelde, insociável.   Aos 16 anos seus pais o colocam num colégio interno para ver se a mudança de ambiente, de pessoas, o ajudaria a melhorar seu comportamento. Entretanto, isto também não deu certo. Logo ele abandona o Colégio e vai trabalhar com o tio que havia aberto uma sucursal de uma grande galeria que comercializava obras de arte e livros, em Haia.  Depois de três anos é enviado para Bruxelas como representante da Galeria, onde passa dois anos. Depois vai para Londres, sempre a serviço da Galeria. Em 1875, com 23 anos, anos, consegue ser transferido para a sede da Galeria, em Paris. Um ano depois (1876), após se indispor com os clientes, é demitido. Então, vai para a Inglaterra, onde já havia trabalhado, e lá começa dar aulas em escolas primárias de pequenas cidades.  Nesse mesmo ano, em dezembro, vai visitar s...