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Antônio Raposo Tavares, um dos maiores bandeirantes paulistas

Atravessou os Andes e toda a floresta amazônica, a pé


Estátua de Raposo Tavares colorizada, Museu Paulista do Ipiranga

Raposo Tavares, foi um bandeirante paulista, pioneiro da colonização do interior do Brasil e da América do Sul. Foi juiz ordinário da Vila de São Paulo, e Ouvidor de toda a capitania de São Vicente. Recebeu do rei D. João IV, o título de Mestre de Campo.

Raposo Tavares, 1598-1658, nasceu em São Miguel de Pinheiro, no distrito de Beja, Portugal. Filho de Fernão Vieira Tavares e Francisca Pinheiro da Costa Bravo, veio para São Paulo com 20 anos acompanhando o pai que iria representar D. Álvaro Pires de Castro, donatário da capitania de Itamaracá, São Vicente e Santo Amaro. Seu pai assumiu a Capitania de São Vicente, da qual fazia parte a Vila de São Paulo, e apesar ser português, Raposo tinha forte apreço e nativismo para com São Paulo.

Em 1622 casa-se com Beatriz Furtado de Mendonça, filha do bandeirante Manuel Pires e juntos tiveram dois filhos. Ficou viúvo, e só depois de dez anos casa-se com Lucrécia Leme Borges de Cerqueira, também solteira e mãe de oito filhos. Lucrécia era filha do bandeirante paulista Fernão Dias Pais Leme, e Juntos tiveram uma filha.

Em 1629, Raposo Tavares seguiu para o Sul, em direção a Guairá, uma região com várias aldeias catequizadas pelos jesuítas espanhóis, entra combate com os espanhóis e destrói as missões espanholas, assegurando as atuais terras paranaenses, catarinenses e rio-grandenses ao território paulista e, aos poucos, vai conduzindo índios aculturados como cativos para os campos de Piratininga, para que lhe servissem de mão de obra.

Em maio de 1629, depois de dez meses, Raposo Tavares regressa a São Paulo, e em 1632 é nomeado juiz ordinário da Vila de São Paulo.

Raposo Tavares parte em uma nova bandeira, em 1636, contra os jesuítas espanhóis de Tape (atual Rio Grande do Sul). Ocupa as aldeias e, em 1638, retorna para São Paulo.

O capitão-mor de São Vicente o presenteia com uma grande extensão de terra. A linha de Tordesilhas havia sido anulada pelo avanço paulista, e as regiões do Paraná, do sul de Mato Grosso, oeste catarinense e as serras do Rio Grande do Sul, estavam incorporadas ao território de São Paulo.

Nesse tempo erva mate era mascada pelos índios Guaranis em suas viagens nas bandeiras, pois ela combatia a fadiga. Esse hábito foi assimilado pelos bandeirantes paulistas. Como não havia pés de erva mate em todos os locais, Antônio Raposo Tavares resolveu secar a erva e levá-la nas bandeiras, disso surgiu o hábito entre os paulistas em tomar ‘congonha’ (chimarrão). Entre os paulistas, e os atuais paranaenses, o costume era tomar torrado e doce; o hábito decaiu em 1808 com a introdução das plantações de café em solo paulista.

Em 1639, Raposo Tavares e seus companheiros paulistas, partem para o nordeste, para combater os holandeses.

‘Entre as façanhas bélicas dos paulistas (…) convém recordar os socorros por eles prestados contra os holandeses, quando da infeliz expedição naval do conde da Torre, em cuja esquadra embarcou um Terço formado em São Paulo, apesar de uma tentativa de revolta de feitio sebastianista contra esta recruta. Tal tropa, comandada por Antônio Raposo Tavares , destacou-se na terrível jornada contra os holandeses  - chamada da Retirada do Cabo São Roque. Mais tarde, novo socorro partiria de S. Paulo em defesa da Bahia’

Em 1647, no comando da ‘Bandeira dos Limites’, parte de São Paulo na maior das bandeiras paulistas, e vai em direção ao interior, em busca de minas de prata, embrenhando-se numa das maiores epopeias em terra do planeta Comparando com a dificuldade de outros desbravamentos pelo mundo, talvez este seja o mais árduo e perigoso de todos, já que foram atravessadas densas florestas úmidas, repletas de predadores, doenças, e outros perigos que a Amazônia pode oferecer, e é considerada a primeira viagem em torno do território brasileiro.

Partiu em maio de 1648 do porto de Pirapitingui, em São Paulo, descendo o rio Tietê rumo aos sertões do baixo Mato Grosso. Contava com brancos, inúmeros mamelucos e mais de mil índios. Segue o curso dos rios Guaporé, Madeira e Amazonas, e chega até Quito no Equador, já perto do oceano pacífico. Volta e chega, em 1651, em Gurupá, atual estado do Pará, com apenas 58 homens e sem a prata sonhada.

Retornou a São Paulo pela costa litorânea brasileira três anos depois, percorrendo mais de 12 mil quilômetros. A bandeira paulista assegurou a posse, e originou os atuais Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Segundo alguns historiadores, Raposo Tavares, ao chegar em São Paulo, já estava irreconhecível -  seu cachorro, ao lhe avistar, estranhou pensando tratar-se de um estranho.

O bandeirante morreu em 1658, em Quitaúna, atual bairro de Osasco-SP.




Fonte:  WP e Dvs


(JA, Set19) 


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