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Cachorro

Ontem, caminhando pela praia, nas primeiras horas da manhã, ao passar por um determinado trecho, encontrei - ou fui encontrado -  por um cão Basset marrom, bem alimentado, de meia idade, e bem humorado. Cheirou-me, como fazem os cães e, a partir daí, começou a andar comigo.

Há poucos metros, estava um Poodle, branco, grande, todo enfeitado.  Ele sentiu que seu espaço estava sendo invadido pelo Basset e reagiu, com latidos, corridas, e agressões. O Basset se defendeu como pode. Entretanto, não era páreo para o Poodle ‘gigante’ - gigante para ele. Gritei, fiz barulho, e consegui espantar o 'invadido'.

Seguimos em frente. Ele não me dava atenção. Todo esperto, distraia-se com isso e com aquilo, e continuamos. Mais adiante, havia um trecho de praia onde as ondas batem nas pedras, que atravessei no intervalo entre ondas. Mas ele, não arriscou - passou subindo nas pedras, mais seguro. 

Na sequência, havia um bando de urubus andando em volta e bicando algo que, como vi depois, era a carcaça de uma tartaruga marinha, que havia sido trazida pelas ondas. Ele, não teve dúvidas: saiu correndo, atropelando, latindo em direção aos urubus. Pensei: vai apanhar de novo! Não; os urubus cederam o espaço, ficando no entorno. Foi lá, cheirou, e pronto.

Passei pelo grupo e continuei. Ele veio atrás. Fomos até um rio que marca o fim da praia e, como não era possível continuar, voltamos.

Cruzamos com os urubus de novo; no lugar onde as ondas batem nas pedras, ele arriscou a passar no intervalo, e se deu mau - molhou-se todo. Sacudiu-se, encontrou e tornou a ‘brigar’ com o Poodle, e continuamos.

Eu estava apreensivo pois a partir dali, naquele trecho de praia, não é permitida a entrada de cães. Mas, fomos. Quando estava chegando, na altura onde eu deveria parar, sair da praia, um salva-vidas, guarda da praia, veio em minha direção -  provavelmente para dizer que ali cães eram proibidos. Antes que ele falasse qualquer coisa, contei a história, e pedi que me ajudasse a mandar o cão de volta para o local onde eu o encontrei inicialmente.

- Esse cão gostou do senhor!

- Não, não. Ele apenas me confundiu com alguém!

O Basset olhou-me nos olhos, com um olhar sincero e interrogativo, que até agora tento compreender. Virou-se e, por conta própria, foi embora, de volta.

Naquele dia, eu estava sozinho, buscando me equilibrar, encontrar algumas respostas, .... Pode ser que aquele cão não estivesse perdido, pedindo para ser adotado. Talvez, ele tenha percebido como eu estava me sentindo, e tenha sido solidário, tentado ajudar.

Obrigado companheiro. Valeu. Senti-me bem melhor depois do nosso encontro. Espero que você esteja bem também.

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