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Cérebro não é feito para mudar de ideia

Autores de livros recentes no campo da ciência cognitiva procuram repensar o papel da razão, e descrever as armadilhas que ela nos prepara. Segundo algumas novas hipóteses: Ø   A lógica é apenas um artifício retórico para persuadir Ø   Nosso cérebro evoluiu de forma a nos convencer de que sabemos mais do que sabemos. Em psicologia, essa operação mental de dar atenção às evidências que sustentam nossa teoria preferida, e descartar as que a contradizem, tem nome: viés de confirmação. Ubíquo nas atividades humanas, ele não é um cochilo da razão, um simples erro aleatório que de vez em quando cometemos. Trata-se, ao contrário, de um elemento constitutivo de nosso pensamento, moldado por milhares de anos de evolução biológica. Há vários livros bem interessantes no campo da ciência cognitiva cujos autores procuram repensar o papel da razão, e descrever as armadilhas que ela nos prepara. I.       ‘ O Enigma da Razão’, dos franceses Hugo Mercier e Dan Sperber ...

Pickleball

  A data de invenção é em meados dos anos sessenta, em Bainbridge Island, Washington, Estados Unidos. O primeiro registro que se tem do jogo é na casa do político Joel Pritchard, que trabalhou no Congresso e no exército desse país. A ideia, no entanto, foi de Barney McCallum, um amigo dele. Conta-se que os dois amigos se dispuseram a jogar badminton um sábado à tarde. Entretanto, como não encontraram o conjunto de apetrechos necessários para esse esporte – decidiram improvisar. Então, fizeram algumas pás de madeira, e usaram uma bola de plástico com buracos. O nome Pickleball veio do nome do cachorro de Joel Pritchard, Pickles, que ficou correndo atrás das bolas durante o jogo. O jogo é uma mistura de pingue-pongue, com tênis e badminton. Pickleball é um esporte de raquete, indoor ou ao ar livre, onde os jogadores, utilizando raquetes, batem uma bola. As raquetes, que eram feitas inicialmente de madeiras (pás) , hoje são de fibra de carbono; as bolas de plástico têm entre...

Bolsonaro – o homem que queria ser Trump

Lançado pouco antes do falecimento da rainha, o último número de ‘The Economist’ traz Bolsonaro na capa. Tradicional marco do pensamento liberal, a revista expressa suas preocupações com a democracia, no contexto eleitoral brasileiro. Em 01 -Set 22 , Biden falava dos Estados Unidos, quando alertou que ‘a democracia não pode sobreviver se um lado acreditar que uma eleição só pode ter dois resultados: ou ganhei ou fui roubado’. Bem que podia estar falando do Brasil. Em outubro, Bolsonaro enfrentará uma eleição que, segundo as pesquisas, provavelmente perderá. Ele diz que aceitará o resultado, se for ‘limpo e transparente’ ̵ e realmente será. O sistema brasileiro de votação eletrônica é eficiente, e difícil de burlar. Mas aí está a pegada: Bolsonaro continua dizendo que as pesquisas estão erradas, e que sua vitória está garantida. Prossegue insinuando que a eleição poderia ser fraudada contra ele. Não mostra evidências confiáveis, mas seus apoiadores acreditam. Parece estar lançando...

Simone Tebet

  Candidata à Presidência da República do Brasil em 2022   Quem é Simone Tebet   Simone Tebet tem 52 anos, é natural de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e foi confirmada em 27 de julho como candidata do MDB à Presidência da República, em meio à polarização da sigla por Lula e Bolsonaro. A senadora, formada em direito, começou sua carreira política em 2003 como deputada estadual. De 2005 a 2010 foi prefeita de sua cidade natal por 2 mandatos. Deixou o cargo para ser vice-governadora do MS . É filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet, que morreu em 2006 . De 2013 a 2014 , Tebet foi secretária de governo até que, em 2015 , foi empossada como senadora da República. Venceu as eleições para a Casa Alta em 2014 com 52,61 % dos votos válidos no Estado. No Senado, Tebet foi a 1 ª mulher a ser presidente da principal comissão da Casa, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) . Durante a pandemia, foi uma das mais críticas ao governo de Jair Bols...

Housing First

    Professor na Universidade de Colúmbia, o psicólogo social Sam Tsemberis, passou anos trabalhando num hospital de Nova York, em atendimento a moradores de rua. Lá pelo final dos anos 80 , estava profundamente frustrado com a repetição de um fato: depois de retiradas da rua e levadas para um hospital, um centro de desintoxicação, ou até uma prisão, as pessoas tendiam a voltar para a rua, no mesmo buraco de papelão onde viviam antes. Nas conversas com os ‘sem-teto’, Tsemberis escutava que eles não tinham a menor vontade de ir a um hospital, consultório de dentista, ou centro de desintoxicação. O que queriam era uma casa. Foi se convencendo de que era necessária uma nova abordagem. Assim, acabou fundando o programa ‘Housing First’, que aloja moradores de rua em apartamentos ̵ inclusive ‘sem-teto’ crônicos, com doença mental ou dependência química. A originalidade está em não exigir que os beneficiários estejam sóbrios ou equilibrados. Isso fica para o passo seguinte, dep...