Empresários em São Paulo criaram a ‘CIESP’ (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), em 28 de março de 1928. Na imagem, os integrantes da primeira diretoria, sendo:
- Da esquerda para a direita (em pé)
Antonio Devisate, José Ermírio de Moraes,
Carlos Von Bulow, Alfredo Weiszflog
- Da esquerda para a direita (sentados)
Horácio Lafer, Jorge Street, Francesco Matarazzo, Roberto Simonsen e Plácido Meirelles.
Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) é uma associação privada, que apoia e representa os interesses das Indústrias paulistas junto à sociedade e o governo.
A associação foi fundada no
dia 28 de março de 1928. Francisco Matarazzo foi o primeiro presidente, e um
dos fundadores do CIESP.
Em setembro de 2004, Paulo Skaf
foi eleito presidente do CIESP, e reeleito presidente da associação por mais 4 anos, em 2011.
Em maio de 2014, o
empresário Rafael Cervone Netto presidente da Technotex, e da Associação
Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), assumiu o cargo de
presidente do CIESP em substituição a Paulo Skaf que, por exigência da
legislação eleitoral, licenciou-se do cargo para concorrer às eleições ao
governo do Estado de São Paulo.
História
O CIESP nasceu em
meio a uma demanda necessária do governo brasileiro. Em meio ao impulso externo
da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), cresceu a necessidade de maior produção industrial
para dar conta das demandas europeias, norte-americanas, e propriamente
brasileiras. Afinal, com diferentes países participando deste conflito,
produtos que antes eram importados foram substituídos pela produção de
armamento e, no Brasil, houve alguns déficits na compra de manufaturados. Com a
oportunidade de se fazer produtivo, surgiram condições de crescimento
expressivo. Em São Paulo, o número de indústrias saltou de 314, em 1907, para 4.458 em 1920.
O CIESP foi criado
no Clube Comercial de São Paulo que era o local onde a alta sociedade paulista
se encontrava, e discutia algumas diretrizes financeiras e econômicas da cidade
e do estado. Nessa reunião, em pleno vale do Anhangabaú, na Rua São Bento nº 47, os
fundadores decidiram se organizar para que as indústrias de São Paulo se
ajudassem em seus interesses. Visto o tipo de organização econômica da época,
os industriais procuravam, de maneira autônoma, participar das diretrizes do
governo, e exigiam outros tipos de interesses comerciais.
A diretoria provisória neste
período era comandada por Jorge Street, empresário ativo que, além de promover
a CIESP, participou da criação do Ministério do Trabalho, e de vilas operárias
pela cidade de São Paulo. Com a ideia de, além de fomentar o número de
indústrias, fazer com que houvesse um protecionismo que desse continuidade a esse
impulso, até que a presidência foi criada, e passada para Francisco Matarazzo.
O CIESP tinha como
principal objetivo territorializar a classe industrial na sociedade paulista.
Para isso, procurou criar serviços de informações sobre preços de mercado no
mundo, para agilizar o processo de negociação, e não depender mais do governo.
Criar o centro de estatísticas para organizar toda a logística e estrutura da
produção, junto a isso inaugurar centro de laboratórios de análises de
materiais em conjunto, uma biblioteca com acervos e exposições dos próprios
empresários, e desenvolver sistemas padronizantes entre eles para normatizar a
produção. Esta combinação visava tornar a produção paulista mais prática,
acessível e rápida.
Com este tipo de abordagem,
num ritmo não tão acelerado, as indústrias vinham crescendo. Ainda assim, em 1929, com a
crise os desafios aumentaram devido a questão econômica mundial, e também os
processos de mudança que eram propostos pelo governo de Getúlio Vargas. Com o
golpe, o Estado brasileiro passava a ser um agente sindicalizador de
empresários e operários, destruindo a autonomia que era a proposta do CIESP.
Em 1931, com o
modelo sindical baseado em associações de federações estaduais, classes e
confederações, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo passou a ser da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Este tipo de ação teve como
principal objetivo formar a Confederação Nacional da Indústria e do Comércio, e
organizar um tribunal de conciliação e arbitrariamento, com o objetivo de
resolver situações conflituosas entre patrões e empregados. Todavia, a ideia da
CIESP
continuava com tensões entre o governo, e a tentativa de estabelecer diretrizes
para a indústria nacional que pudesse tirar proveito da situação, e continuar
com seu desenvolvimento.
Com as tensões, 9 anos depois,
em 1939, os líderes da CIESP buscavam voltar às suas demandas da época da sua
criação. Com Horácio Lafer, o centro buscava suas propriedades originais, diretorias
próprias, atividades próprias, e atuações no mercado brasileiro.
Em 1942 o Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo passou a se desmembrar:
ü A FIESP lidava com questões relacionadas às instituições, e a
mobilização industrial no estado de São Paulo.
ü O CIESP desenvolvia estudos econômicos e legislativos
necessários para transformar os planos teóricos propostos em realidade. Havia
uma troca mútua entre as duas entidades, uma vez que toda a prática da
federação provinha de análises permitidas pelo centro. A mudança e
descentralidade, efetivamente, ocorreu apenas em 1949.
Com o crescimento da
indústria neste período, novamente em virtude da guerra (segunda Guerra Mundial), as criações de diferentes entidades regionais visavam acrescentar
análises mais diversificadas e coerentes com os espaços que se estabeleciam
pelo Brasil. Os centros regionais criados passaram a ter efetivo trabalho, e
desenvolvimento de novos trabalhos, em diferentes regiões de São Paulo.
O CIESP, em
virtude de fortalecer a criação de novos trabalhos, passou a sustentar a
Faculdade de Engenharia Industrial, e financiar a reforma do Instituto de
Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo - USP.
Passou a ter uma política de
convênios com diferentes escolas, como a de Administração de Empresas Fundação
Getúlio Vargas (FGV). Procurou financiar cursos de química industrial,
engenharia mecânica e industrial em diversas faculdades. Ao mesmo tempo em que
se ampliaram as atividades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de
São Paulo (Senai-SP), e Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).
Atualmente, o Centro das
indústrias do Estado de São Paulo conta com 42 Diretorias Regionais, centros que representam a
entidade, localizados em diversas partes do estado que visam regionalizar os
serviços prestados. Sendo assim, são representações políticas que, pela
estrutura, buscam atender o empresariado em todas as regiões. Além disso, estes
locais buscam desenvolver projetos culturais nas regiões em que estão.
Atuação
O CIESP está
presente na cidade de São Paulo e no interior do Estado de São Paulo através de
42 unidades
representativas. O CIESP tem aproximadamente 10 mil empresas associadas, sendo
a maior entidade industrial das Américas.
O CIESP oferece
aos seus associados assessoria nas áreas: jurídica, técnica, econômica, social,
meio ambiente, crédito, fomento à inovação tecnológica, cursos e fóruns. Além
disso, os associados têm à sua disposição um conjunto de serviços: assessoria
nas áreas jurídico-consultiva e técnica, econômica, comércio exterior,
infraestrutura, tecnologia industrial, responsabilidade social, meio ambiente,
crédito, e apoio em pesquisas, feiras, simpósios, rodadas de negócios, cursos,
convênios e demais eventos promovidos pela entidade.
Em 2012, o Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo CIESP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo FIESP, e o
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, firmaram parceria com a Universidade de São Paulo USP no Programa
de Extensão Tecnológica, para promover o desenvolvimento tecnológico dentro das
empresas. A parceria envolve três programas:
ü o primeiro para atender 240 empresas de diversos setores,
ü o segundo programa para atender 400 empresas do
setor de petróleo e gás, e
ü o terceiro programa para atender empresários de
diversas áreas de atuação.
Hoje, o CIESP conta com 150 mil estabelecimentos, sendo que 2,5 milhões de empregados estão ligados diretamente nestas empresas paulistas, o que dá 43% dos produtos manufaturados e produzidos no Brasil, correspondendo a 60% do PIB industrial do país.
Para isso, os Centros das
Indústrias do Estado de São Paulo contam com algumas vantagens:
o Aqueles que se
associam a CIESP, possuem oportunidades de negócios diferenciados. Há
uma Rodada de Negócio de alguns setores para auxílio de transferências e
negociações entre as indústrias, que movimentam cerca de R$ 78 milhões de
reais.
o
Há também o
programa Jovem Empreendedor para a associação. Este tipo de ação procura trazer
os trabalhadores da indústria para que busquem um maior aprendizado teórico e
prático em seus centros de estudo. Os tipos de aula são focados na
internacionalização das empresas associadas.
o Outro programa se
concentra na Inteligência Artificial. São pesquisas exclusivas de compradores
no mercado internacional.
o
A logística, em
telecomunicações, transporte e eficácia na produção são os tipos de programas
que os CIESPs procuram defender no governo brasileiro. Para tanto,
as filiações destes centros contam com ajuda de advogados e políticos que
procurem atender os interesses destes industriários.
Fonte: WP e Dvs
(JA, Mar26)

