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A Teoria dos Cisnes Negros

Um resumo das ideias popularizadas por Nassim Taleb,  chamando atenção para o fato de que eventos de baixa probabilidade, podem ocorrer, e ter um alto impacto Vivemos num mundo em que não conhecemos. Esta é a premissa básica da teoria dos Cisnes Negros, popularizada pelo pensador contemporâneo Nassim Taleb. Ele trabalhou por muito tempo como trader no mercado financeiro, e neste ramo, viu várias pessoas fazerem fortunas espetaculares para tudo virar pó em alguns dias. Cisnes Negros são eventos de baixa probabilidade, mas impacto extremamente elevado. É um outlier difícil de acontecer, mas que pode ocorrer um dia, e, se ocorrer, terá efeitos catastróficos. Esta é a definição, mas não o problema real. O grande problema é que o ser humano tende a subestimar a existência de Cisnes Negros. Uma das razões é que, por serem tão raros, alguns desses eventos nunca ocorreram na história. E, mesmo nos casos em que ocorreram, rapidamente o conhecimento humano se adapta para...

A última visita

O artigo abaixo, a respeito da morte de Machado de Assis (1839-1908) foi publicado por Euclides da Cunha, em 30 de setembro de 1908, no ‘Jornal do Comércio’. Machado havia falecido um dia antes. Retrato de Machado de Assis, 1905, de autoria de H. Bernardelli, óleo sobre tela Na noite em que faleceu Machado de Assis, quem penetrasse na vivenda do poeta, em Laranjeiras, não acreditaria que estivesse tão próximo o desenlace de sua enfermidade. Na sala de jantar, para onde dizia o quarto do querido mestre, um grupo de senhoras – ontem meninas que ele carregara no colo, hoje nobilíssimas mães de família – comentavam-lhe os lances encantadores da vida e reliam-lhe antigos versos, ainda inéditos, avaramente guardados em álbuns caprichosos. As vozes eram discretas, as mágoas apenas rebrilhavam nos olhos marejados de lágrimas, e a placidez era completa no recinto, onde a saudade glorificava uma existência, antes da morte. No salão de visitas viam-se alguns discípulos dedic...

Um intelectual pop - Yuval Noah Harari

Como o historiador Yuval Harari, que lança seu terceiro livro no Brasil, tornou-se um improvável best-seller e um discreto profeta de pesadelos tecnológicos     História Futurista - Um holograma de Harari em conferência no Canadá: visão crítica da inteligência artificial Yuval Noah Harari é uma criatura rara entre os autores mais vendidos no mundo hoje. Não escreve para o mercado que os americanos designam como young adult — jovem adulto —, que impulsionou os sucessos de uma Stephenie Meyer ou de um John Green. Tampouco é uma celebridade de rede social, embora o universo dos instagrammers , youtubers e digital influencers entre na paisagem que ele desenha em ‘21 Ideias para o Século 21’, o novo livro cujo lançamento global se dará nesta quinta-feira, 30. Trata-se de um acadêmico, um homem das ciências humanas, com formação em história pela vetusta Universidade de Oxford, na Inglaterra. Frequenta o circuito fast-food de divulgação do pensamento que se organiz...

Modo de falar do brasileiro

O ‘R’ caipira do interior de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina deve-se ao fato de que os indígenas que aqui moravam não conseguiam falar o ‘R’ dos portugueses, não havia o som da letra ‘R’ em muitos dos mais de 1200 idiomas que se falavam aqui. Então na tentativa de se pronunciar o ‘R’, acabou-se criando essa jabuticaba brasileira, que não existe em Portugal. A isso também se deve o fato de muitas pessoas até hoje em dia trocarem ‘L’ por ‘R’, como em farta (falta), frecha (flecha) e firme (filme). Com a chegada de mais de 1,5 milhão de italianos à capital de São Paulo o sotaque do paulistano incorporou o ‘R vibrante’ atrás dos dentes, ficando porta como ‘porita’, e em alguns casos até incorporando mais ‘Rs’ do que existem: carro como ‘caRRRo’, se quem falar for de Mooca, Brás e Bexiga, bairros paulistanos com bastante influência italiana. O ‘R’ falado no Rio de Janeiro deve-se ao fato de que quando a corte portuguesa pisou aqui, a moda era...

A Cigarra e a Formiga - Versão Atualizada

Os braços das Formigas parecem se multiplicar no verão. Elas trabalham toda a estação, sob um calor esmagador, construindo sua casa, e estocando suprimentos para o inverno. As Cigarras acham que as Formigas são estúpidas, e passam o verão rindo, dançando e brincando. Quando o inverno chega, as   Formigas se refugiam em sua casinha, onde irão dispor de tudo o que precisarem, até a primavera. As Cigarras, tremendo, sem comida e sem abrigo, organizam uma conferência de imprensa na qual elas colocam a questão: ‘Por que as Formigas têm o direito à moradia e comida, enquanto existem outros, menos afortunados do que elas que tiveram sorte na vida, que estão a beira da morte passando frio e fome???’ O rganiza-se então um programa de TV ao vivo, onde o representante das Cigarras expõe o frio e calamidades que estão vivendo. Neste mesmo programa de TV,   é exibido um vídeo onde aparecem as Formigas bem aquecidas em sua casa, e com a mesa cheia de alimentos para passar...