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Urna x Necessidades, Expectativas

Eduardo durante toda a sua vida foi um idealista, com preocupações sociais. Esse seu comportamento provavelmente tenha a ver com a sua  própria história familiar, onde o trinômio ‘trabalho, estudo e superação’ era um lugar comum, praticado normal e inconscientemente.     A sua história de vida é similar a de milhões de brasileiros. Seu avô foi um imigrante italiano que veio para trabalhar na lavoura, numa pequena cidade do interior paulista.   Era um homem comunicativo e cheio de iniciativa, tanto que logo conseguiu se transferir do campo para zona urbana da cidade, passando a trabalhar então no segmento de transporte. Anos mais tarde, acabou por ser eleito prefeito daquele município; teve e criou cerca de nove filhos. Como era comum naquela época, onde ter estudo não era tão valorizado como ter uma profissão, seus filhos cursaram apenas o ensino fundamental básico. Um de seus filhos, o pai do Eduardo, aprendeu os oficios de alfaiate e de barbeiro, lá mesmo ...

Mudança

Álvaro nasceu no interior de São Paulo.  Seus pais trabalhavam numa grande fazenda, cuidando, principalmente, do rebanho de gado. Moravam numa casa simples, onde cultivavam uma pequena horta, algumas árvores frutíferas, e criavam galinhas e porcos para consumo.  A família se relacionava com as demais famílias locais, e todos tinham praticamente o mesmo modo e padrão de vida. Quando teve idade suficiente, começou a frequentar a escola local como todas as outras crianças.  Quando não estava na escola, além de fazer os deveres escolares, tinha sob sua responsabilidade pequenas tarefas que executava, ajudando nos afazeres domésticos.   Entretanto, assim que terminou o Ensino Médio, sem muito planejamento, achando que seria bom, aproveitou uma oportunidade, e acabou indo ir estudar na capital.  "Muitas vezes, tomamos alguns  caminhos que nem imaginávamos tomar algum dia. É quando, por isso ou por aquilo, nos deixamos levar por alguma correnteza favoráve...

Missão

Domenico Ghirlandaio – ‘The Christian Glory’, 1492 Lúcio era uma alma apreciada por Deus,  por tudo de bom  que ele já havia feito, por várias gerações, e pelo que ainda haveria de fazer. Entretanto, Deus recebera uma mensagem do próprio Lúcio, deixando claro que ele passava por uma fase ‘de baixa’, e que  está tendo uma dificuldade enorme para superá-la. Era lamentável isto acontecer justo nessa existência que, pelos planos divinos, deveria ser a sua última. Nessa existência ele deveria atingir um grau de evolução / superação tal,  que o habilitaria a ir para um outro plano, um plano superior, onde outras e novas missões o aguardavam. Lúcio tinha consciência de que existem situações que nos levam a atingir o nosso limite e, então, não resta alternativa senão apelar para uma Instância Superior. Se vamos ser atendidos ou não, é difícil dizer - apelamos de acordo com a nossa necessidade, e seremos atendidos ou não, dependendo da possibilidade. De duas coisas...

Por que?

Olhando para trás, para quando ainda era uma criança, percebeu que a lembrança mais marcante é de que era uma menina com muitas dúvidas. Vivia perguntando: ‘Por que?’ As perguntas,  próprias  de todas as crianças, eram muitas. Entretanto, poucos se davam ao trabalho, ou conseguiam responder. “ Por que o mundo gira em torno dele e do sol?  Por que a vida é justa com poucos e tão injusta com muitos? Por que o céu é azul?  Quem foi que inventou o Português?  Como foi que os homens e as mulheres chegaram a descobrir as letras e as sílabas? Como a explosão do Big Bang foi originada?  Será que existe inferno?  Como pode ter alguém que não goste de planta?  Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Um cego sabe o que é uma cor?  Se na Arca de Noé havia muitos animais selvagens, por que um não comeu o outro?  Para onde vou depois de morrer?  Por que eu adoro música e instrumentos musicais se ninguém na minha família toca nada?  P...

Mundo Invisível

Andando à pé, na calçada de uma rua movimentada da cidade, lhe ocorreu o quanto todos somos dependentes uns dos outros. Dependemos de pessoas que, na sua quase totalidade, não conhecemos e nem vamos conhecer.  São pessoas que nos proporcionam, de alguma forma, tudo o que usamos, consumimos – desde a nossa roupa, até a água que bebemos, a qualidade do ar que respiramos.  Em torno de cada um de nós gira um mundo invisível de pessoas, do presente ou do passado, ou seus substitutos, sem as quais, teríamos muita dificuldade em continuarmos vivendo dentro do nosso  padrão de vida atual, usufruindo dos meios facilitadores aos quais estamos habituados. Tudo isso é devido ao sistema de vida  em sociedade. Um sistema  que começou há se formar há mais dos dois mil anos do nosso calendário.  Nossos antepassados se agregaram aos seus afins, com o objetivo egoísta de se defenderem das ameaças que sofriam por parte daqueles não eram do seu grupo, da sua espécie. ...

Tempo Certo

Ele era um menino, com   cerca de oito anos de idade, que vivia numa comunidade agrícola,   no pequeno sítio da sua família.   A ele foram atribuídas algumas tarefas, como, por exemplo, alimentar as galinhas que eles criavam.   Além disso, tinha que frequentar e cumprir os deveres da escola, e cuidar do irmão menor, enquanto a mãe estava na lavoura. O tempo ia passando: os dias, as  noites; as estações do ano; o tempo chuvoso, o tempo de seca; plantação, colheita; ... Cada momento trazia consigo o seu significado, exigência, ações, e consequências. Terminado o Ensino Médio, conseguiu ser admitido numa faculdade. Infelizmente, ficava numa outra cidade. Após seus pais concordarem em mantê-lo por uns tempos na nova cidade, foi para lá, entrou e se adaptou na nova rotina. Basicamente, lá, o processo se repetia, muito parecido com o de quando estava em casa: observar e entender o momento, cumprir o que era necessário, e ter direito ao resultado (exigências...

Realidades Paralelas

Eduardo acordou naquele dia, no mesmo horário e fez as mesmas coisas de sempre: levantar-se, separar a roupa que iria usar, tomar banho, se trocar e sair. Tomou o elevador, desceu até garagem, no subsolo do seu prédio, entrou no seu carro e pretendia sair, tomar seu café da manhã na cafeteria mais próxima, e seguir para a Universidade onde, há pouco tempo fora nomeado professor titular da cadeira de Física. Ao se sentar ao volante, ao fechar a porta do carro, teve como que uma vertigem – sentiu-se como que engolido pela terra. Ao voltar a si, estava andando sozinho por uma rua e cidade estranhas. Estranhas não só por serem desconhecidas, mas, principalmente, por terem uma configuração inusitada, com ares futuristas: os prédios, as pessoas, os veículos.   Enquanto olhava tudo aquilo, sem entender nada, alguém uniformizado, que aparentava ser um policial, dirigindo um meio de transporte que poderia ser uma prancha de surfe, com uma coluna de pilotagem no centro, onde se apoi...