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Há exatos 50 anos, astronautas partiam em direção à Lua




Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins se lançaram na viagem que marcou a corrida espacial e a história humana


Há exatos 50 anos, o dia raiou na cidade de Cabo Canaveral para um dia que seria diferente de todos os outros. Cerca de 1 milhão de pessoas se reuniram na costa da Flórida para testemunhar o início da primeira viagem humana à superfície da Lua.

Hoje, a missão Apollo 11 é relembrada como um marco histórico na corrida espacial, a versão pacífica da disputa armamentista e tecnológica conduzida pelos Estados Unidos e pela União Soviética durante boa parte da segunda metade do século 20.

Naquele 16 de julho, o foco era cumprir o desafio lançado em 1961 pelo presidente John F. Kennedy: enviar um homem à Lua e trazê-lo de volta à Terra antes do fim da década.

Um caminho longo e sinuoso desembocou naquele momento. Os primeiros embaraços na corrida espacial, propiciados pela largada furiosa dos soviéticos com o Sputnik, em 1957, as primeiras missões robóticas lunares, em 1959, e o lançamento de Yuri Gagarin ao espaço, em 1961, deram lugar a uma sequência tão complexa quanto ambiciosa de missões, que envolviam desenvolver habilidades de encontro e acoplagem em órbita, caminhadas espaciais, manobras em espaço profundo e perigosos pouso e decolagem da superfície de um mundo inteiramente desconhecido.


Eugene Cernan, piloto módulo lunar Apolo 10, sai da nave operação recuperação oceano Pacífico


Na Apollo 8, em dezembro de 1968, pela primeira vez astronautas orbitaram a Lua, vendo de lá o poético e icônico nascer da Terra. Na Apollo 10, em maio de 1969, todos os sistemas foram testados para uma tentativa de pouso —exceto a aproximação final e a alunissagem. Caberia à missão seguinte tentar deixar as primeiras pegadas humanas no solo lunar.


Uma tripulação extremamente experiente havia sido escalada para a tentativa. Em todo o projeto Apollo, apenas as missões 10 e 11 seriam inteiramente compostas por veteranos de outros voos.

O comandante, Neil Armstrong (1930-2012), era talvez o mais frio e metódico de todos os astronautas a serviço da NASA. Ficou famosa a história em que ele pilotava um veículo que simulava em terra o desempenho do módulo lunar, o LLRV, e teve de ejetar dele a 30 metros do chão, conforme o controle da máquina se degradava. 

Violentamente atirado para longe, pousou em segurança com seu paraquedas enquanto o LLRV ardia em chamas. Calcula-se que, se ele tivesse demorado mais meio segundo para ejetar, teria sido tarde demais. Armstrong saiu dali e foi direto para seu escritório escrever o relatório da perda do veículo.

Ele também tinha outra peculiaridade: em meio a tantos militares, era um dos únicos astronautas da NASA que era civil. Armstrong chegou a servir à Marinha entre 1949 e 1952, como parte de um programa de bolsa que o levou à Universidade Purdue, onde cursou engenharia aeronáutica, onde se formou em 1955.

De lá, tornou-se piloto de prova de veículos experimentais do Naca (Comitê Nacional Consultivo de Aeronáutica, precursor da NASA). Chegou a pilotar o avião-foguete X-15, o primeiro veículo suborbital americano. Em abril de 1962, atingiu a altitude de 63 km.

Foi incorporado aos astronautas da NASA naquele ano, como parte da segunda turma, e realizou uma missão antes da Apollo 11: a Gemini 8, em 1966, responsável pela primeira —e arriscadíssima— acoplagem da história da exploração espacial. Mais uma vez, sua frieza o salvou quando um propulsor travou ligado, dando rotação cada vez maior à cápsula. Armstrong teve de abortar a missão antes que as revoluções fizessem com que ele e seu colega David Scott desmaiassem.

Como piloto do módulo de comando da Apollo 11, a NASA escolheu Michael Collins (1930- ). Nascido em Roma, ele era filho de um oficial do Exército americano estacionado da Itália. Interessado pela carreira militar, ele preferiu a Força Aérea para evitar acusações de nepotismo.

Collins entrou para o grupo de astronautas da NASA com a terceira turma, de 1963, e foi escalado para a missão Gemini 10, em 1966, até então o maior recorde de altitude num voo espacial. Em seguida, foi escalado para a tripulação daquela que seria a Apollo 8, mas um problema cervical o obrigou a passar por uma cirurgia e com isso ele foi substituído, o que acabou colocando-o no voo espacial mais famoso da história —mas para observar apenas à distância, solitário, orbitando a Lua no módulo de comando.

Para descer com Armstrong à superfície da Lua, a NASA escalaria, como piloto do módulo lunar, Edwin ‘Buzz’ Aldrin (1930-). Buzz, como sua irmã mais nova o chamava, era seu apelido favorito. Virou seu nome oficial e também de personagem de ‘Toy Story’.

Formado pela Academia Militar de West Point em 1951, como engenheiro mecânico, Aldrin conduziu 66 missões de combate na Guerra da Coreia (1950-1953) pela Força Aérea americana. Entre 1959 e 1963, fez doutorado em astronáutica pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na esperança de se tornar astronauta.

Foi escolhido pela NASA para a terceira turma de astronautas e participou da missão Gemini 12, em 1966. Seu desempenho excepcional em caminhadas espaciais o colocou na tripulação da Apollo 11.

Após um desjejum com café, suco de laranja, ovos mexidos e torradas, os astronautas embarcaram na espaçonave, a 110 metros de altura, no topo do foguete gigante Saturn V, às 6h45 (hora local da Flórida) do dia 16 de julho de 1969.

            



       


A contagem regressiva transcorreu sem grandes problemas —pequenas falhas como o vazamento em uma válvula e uma luz indicativa de falha foram resolvidas por equipes na plataforma 39A do Centro Espacial Kennedy na preparação final. O lançamento aconteceu às 9h32 (na Flórida; 10h32, em Brasília).

Pouco menos de 3.000 toneladas de combustível e oxidante seriam consumidos de forma controlada —o equivalente energético de uma bomba nuclear de 5 quilotons, um terço da potência do artefato lançado sobre Hiroshima em 1945—, a fim de colocar a Apollo 11 a caminho da Lua.

Após uma checagem dos sistemas em órbita terrestre baixa, o terceiro estágio do Saturn V foi acionado para a injeção translunar, realizada às 12h22 (da Flórida).

Armstrong, Collins e Aldrin foram dormir leves como plumas, mas com o peso do mundo nos ombros, às 20h52, enquanto sua nave vagava inerte pelo espaço interplanetário no início da jornada épica à superfície da Lua.


Astronauta Buzz Aldrin saúda a bandeira dos EUA na superfície lunar, em 20 de julho de 1969






Fonte Salvador Nogueira   |   FSP




(JA, Jul19)

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