Pular para o conteúdo principal

O meu céu não tem estrelas


O meu céu não tem estrelas. Tudo é vazio; não há referências. Sinto-me caminhando sobre nada, contornando obstáculos inexistentes, batalhando sem ter razões, indo com grande esforço para nenhum lugar, ou para um outro semelhante a este.
Não gosto de pensar sobre isso pois acabo ficando deprimido e perdendo meu foco racional, meu objetivo definido. Aliás, isto não é verdade - nem deprimido consigo ficar. Acabo por ser  apenas um indiferente observador. E o foco, o objetivo definido, não posso perder - é a única coisa que me move.
 Nada tem um significado maior – nem a morte, nem a vida. Tudo o que acontece se enquadra num único plano, completando uma sequência recorrente. Tudo se completa para formar um nada, nem visível, nem concreto.
Entretanto, é importante que se complete, para seguir o plano mestre. Um plano que não é físico e nem espiritual, mas que resulta na união da matéria e antimatéria, da energia existente e da gerada. Um plano que prevê que tudo se encontre e interaja, transformando-se em algo que é a essência primária, não de nós, indivíduos, mas de um todo maior, do qual nós também fazemos parte, inconscientes. Uns, partes importantes; outros, nem tanto; todavia todos indispensáveis para o conjunto final.
Esse conjunto final, quando atingir a sua plenitude, pela soma de todas as vidas, de todas as energias, desde sempre, em todo o universo,  é o objetivo. Ele sim tem significado. Ele é a razão de ser. Então, será o advento da luz, da vida, como sempre idealizamos. É o que, intuitivamente, muitos chamam de céu, um céu onde nós seremos as estrelas.  
(JA, Out68)

Postagens mais visitadas deste blog

100 anos do Leblon - os encantos e história do bairro mais charmoso do Rio

Cenário de inúmeras novelas e inspiração de muitos compositores, o local tem centenas de moradores famosos Quando se pensa no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, vem na mente o cenário de inúmeras novelas de Manoel Carlos e, claro, a fonte de inspiração de muitos compositores e poetas. Como defini-lo? Calmo e elegante. Ele - localizado entre Vidigal, Gávea e Ipanema - é conhecido por seus ótimos restaurantes, comércio forte, vida noturna agitada, e pelos famosos que circulam por lá, e pelo seu cartão-postal: o mar e o Morro Dois Irmãos. A beleza natural juntamente com outros atributos fazem da localidade uma das mais cobiçadas da cidade e um dos bairros mais caros do país. No último dia 26 de julho, o Leblon completou 100 anos de histórias. Francisca Ornellas Teles e Charles Le Blond Charles Le Blond, 1804-1880, chegou ao Rio de Janeiro em 1830, proveniente de Marselha fundando a empresa ‘Navegação Aliança’ com a finalidade de explor...

Bandeira da Cidade de São Paulo

A bandeira paulistana é branca, traz a Cruz da Ordem de Cristo em vermelho e ostenta o brasão do município no centro. O branco simboliza a paz, a pureza, a temperança, a verdade, a franqueza, a integridade, a amizade e a síntese das raças. O vermelho simboliza a audácia, a coragem, o valor, a galhardia, a generosidade e a honra. A cruz evoca a fundação da cidade. O círculo,  emblema da eternidade, afirma a posição de São Paulo como capital e líder de seu estado. O círculo  envolve o brasão do município de São Paulo.  O brasão consiste num braço armado empunhando um pendão branco, de de quatro pontas farpadas, ostentando a cruz da Ordem de Cristo. O pendão está fixado em uma haste lanceada, em prata.  Encimando o escudo há uma coroa em ouro, com quatro torres, três ameias, com uma porta cada. Suportes: dois ramos de café, frutificados, na sua cor natural.  Divisa: ‘Non ducor duco’ (não sou conduzido, conduzo). . A cr...

Coração de Gelo

Quem tem ambições literárias deve ser de esquerda (em público) e de direita (na obra) Não dou conselhos. Exceto quando me pedem. Aí, depois de cobrar meu salário, digo sempre o mesmo a uma audiência mais jovem: quem tem ambições literárias deve ser de esquerda (publicamente) e de direita (literariamente). Em público, persiste ainda a ideia bizarra de que a esquerda tem um ‘pedigree’ cultural mais elevado. A história do modernismo desmente essa fantasia. Mas a fantasia sobrevive —e, acredite, é mais confortável fazer carreira sem correr maratonas. Relaxe, seja de esquerda, tudo fica mais fácil. Literariamente falando, ninguém escreve grandes obras com ‘bons sentimentos’. Muito menos com uma visão otimista da condição humana. Nesse quesito, faço minhas as palavras de Graham Greene: ‘um grande autor tem sempre uma farpa de gelo no coração’. O próprio Greene ilustrava essa máxima como grande escritor de direita que era (apesar de se dizer de esquerda, claro). Le...