https://www.youtube.com/watch?v=xCla8L0HRfc
O nome dela era Diana. Ela
era mais velha, graciosa, totalmente fora de alcance. Ele tinha apenas 16 anos, sentia-se
invisível aos seus olhos, e profundamente devastado. A maioria dos rapazes
teria mexido com ela. Paul Anka escreveu
uma música.
Ele pediu $100 emprestados
ao tio, pegou uma mala cheia de demos, e tomou um comboio para Nova Iorque. Os
rótulos estavam tendo sucesso, todos o rejeitaram. A indústria musical dos anos
50
não levava a sério os adolescentes como compositores. As músicas vinham de
profissionais instalados em escritórios limpos, não de adolescentes apaixonados.
Então, o produtor Don Costa
apertou o play e ouviu algo que todos tinham ignorado.
Quando ‘Diana’ foi lançado no
verão de 1957, não foi apenas um sucesso. Foi um arraso. Nove
milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Número um no Reino Unido por nove
semanas. Aos 16 anos, Paul Anka se tornou um fenômeno global,
impulsionado por nada além de um sentimento que não conseguia manter dentro de
si.
Mas a verdadeira história só
começaria onze anos depois.
Em 1968, num jantar
na Flórida, Paul Anka foi confrontado por Frank Sinatra - um dos maiores
artistas de todos os tempos - que parecia cansado, de uma forma que nada tinha
a ver com privação de sono.
O Rock'n'roll tomou o mundo de
repente. Sinatra se sentiu como uma relíquia, desligada, deixada para trás por
uma cultura que tinha continuado sem ele. Naquela noite, ele disse algo que
Paul Anka nunca esqueceu:
- ‘Estou acabado. Vou me afastar de tudo isso’.
Anka não tentou
contradizê-lo. Só ouviu.
No seu voo de volta para Nova
Iorque, abriu um caderno. Recentemente, havia adquirido os direitos de uma
melodia francesa - uma canção calma e melancólica chamada ‘As usual’, sobre a
lenta erosão do amor, num casamento comum. Não foi um grande sucesso. A maioria
das pessoas esqueceu que ela existia.
Mas Anka ouviu outra coisa.
Uma história diferente. Com um significado maior.
Ele não escreveu para si
mesmo. Ele escreveu para Frank - estudando sua voz, seu desafio, seu orgulho
suado. Ele escolheu as palavras que o Sinatra diria, como o Sinatra as diria.
Frases que o próprio Anka nunca usaria, mas eram indiscutivelmente,
poderosamente, as do Frank.
Quando terminou, tomou uma
decisão discreta que a sua própria gravadora nunca teria entendido: pegou o
telefone e deu a música.
‘Eu posso escrever’, diz
Anka, ‘mas não cabe a mim cantar. Foi escrito para o Frank. Só o Frank’.
‘My Way’ foi lançado em 1969.
Permaneceu nas paradas do Reino Unido por mais de um ano. Tornou-se o hino que Sinatra fecharia todos seus concertos pelo resto da vida.
Ela era apresentada em funerais, casamentos, retiros, e momentos íntimos em que as pessoas precisavam se lembrar de quem eram. Tornou-se, muito facilmente, uma das músicas mais tocadas na história da música gravada. E foi escrita pelo mesmo rapaz que, onze anos antes, derramou a sua mágoa adolescente numa melodia - esperando que uma rapariga chamada Diana a ouvisse finalmente.
Ela provavelmente ainda não sabe que começou isto tudo.
Algumas músicas. Duas gerações. A verdade é que a maioria dos autores não falam apenas - sabem quando se excluir, e dar as suas palavras a quem mais precisa delas.
Paul Anka não escreveu para a
glória. Ele escreveu para os sentimentos. E, às vezes, é assim que se muda o
mundo.
Fontes: ‘My Way: A História
de Uma Canção’; Paul Anka, ‘Sua Vida e Música’; Arquivos da Indústria Musical
dos anos 50; Estudos Históricos
(JA, Abr26)
