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Influência de Gramsci

Antonio Gramsci, Italiano, 1891-1937 

São 32 os cadernos que Antonio Gramsci escreveu no cárcere de 1929 a 1935. Foi na cadeia da Turim onde produziu a maior parte desta obra, tornada bússola de movimentos de esquerda em várias partes do mundo. Um manual sobre como tomar o Estado e a sociedade sem dar um tiro. Foi deputado pelo Veneto, líder sindical, jornalista, filósofo comunista, e agitador, numa época em que o fascismo e o comunismo brotavam Europa afora, com Stalin na Rússia e Hitler, Mussolini e Franco, na Alemanha, Itália e Espanha.

Gramsci entendia ser preciso tomar o Estado por dentro, ganhar a hegemonia em setores estratégicos da sociedade, como educação e cultura. A semente da hegemonia do pensamento de esquerda deveria ser plantada a partir dos influencers daquela época: músicos, artistas, intelectuais e professores.

Norberto Bobbio analisa a influência de Gramsci sobre a esquerda mundial nos ensaios publicados em 1999 pela Editora Paz e Terra (Gramsci e o conceito de sociedade civil). Naquelas 137 páginas, o mestre faz uma análise precisa da teoria gramsciana indicando que a ‘hegemonia é o momento de soldagem entre determinadas condições objetivas e a dominação de fato de um grupo dirigente’.

É, sem dúvida, o grande doutrinador da esquerda no pós-guerra. Os discípulos de Gramsci são até hoje movidos por esta centelha, com a diferença de que há quase 1 século, quando ele escreveu os Cadernos, a imprensa, o telégrafo e o rádio eram os meios de comunicação mais modernos. Hoje, temos ferramentas mais eficientes como as redes sociais, as técnicas de infiltração como astroturfing e, claro, também velho o corpo a corpo.

Gramsci nasceu e morreu pobre, passou fome, a mãe costureira sustentando a família. Sua ascensão social, como a de Benito Mussolini, se deu pelo Partido Socialista, numa época em que os pobres subiam na vida entrando para o exército, a igreja ou a política.

Em 1921, deixou os socialistas para fundar o Partido Comunista Italiano. No ano seguinte partiu para a Rússia, onde conheceu Julia, mãe dos seus dois filhos.

Passados 4 anos, o carismático líder foi preso pela polícia de Mussolini pelo crime de ser comunista.

Em 1934, ganhou liberdade condicional, e foi morrer em casa, sem nunca ter publicado um livro em vida.


Entrada da escola Avenues no Real Parque, bairro nobre de São Paulo

Passados 85 anos da sua morte, ele segue frequentando escolas da elite de São Paulo, como demonstra o que ocorreu na escola Avenues, no Real Parque, bairro nobre de São Paulo. 

Nessa escola o professor Messias Basques deixou militância política estar acima de sua missão de ensinar, ao privilegiar só uma versão dos fatos quando um aluno discordou da enfermeira e professora de origem indígena Sonia Guajajara, ex-candidata a vice-presidente pelo Psol na chapa de Guilherme Boulos, em 2018, levada pelo professor para doutrinar os alunos contra o Agronegócio.

Diante a pregação da militante do Psol, defensora da distribuição das terras dos produtores rurais, o rapaz pediu a palavra e, serenamente, explicou que não concordava, e deu seus motivos. Entre os quais, a segurança da propriedade privada expressa na Constituição, e o papel do agronegócio na economia do Brasil. Também argumentou que o uso de defensivos agrícolas obedece a regras de controle, e que não era feito da forma como ela dissera. Terminou dizendo que muitos agroquímicos de última geração não são usados no Brasil ‘porque não deixam’.

Basques enganou muita gente por muito tempo, mas não enganou aquele aluno esperto o tempo todo. Sua militância política foi colocada acima da missão de ensinar, quando privilegiou apenas uma versão dos fatos, impediu o debate, e impôs a famosa hegemonia gramsciana, humilhando o aluno que ousou discordar da sabedoria da indígena do Psol.


 

Fonte: Marcelo Tognozzi | Poder360


(JA, Abr22)


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