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Dia do Trabalho - 101 anos no Brasil

Ø  Redução da carga horária de trabalho está no centro dos protestos desde           que a data começou a ganhar importância

Ø  Data surgiu em 1886 nos EU após repressão violenta a greve em Chicago

 

O Dia do Trabalho celebrado neste de Maio completa 101 anos no Brasil em 2026. A data surgiu em meio a protestos por melhores condições de trabalho, com a redução da jornada no centro das mobilizações, tanto aqui no Brasil como em países da Europa e nos Estados Unidos.

Um século depois, e com muitas mudanças na estrutura laboral, a diminuição da carga horária de trabalho segue sendo uma das principais reivindicações, com movimentos trabalhistas, sociais, e sindicais, pedindo o fim da escala 6x1 no país.

O feriado foi instituído por decreto em setembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes, determinando que, a partir de de Maio de 1925, o dia fosse ‘consagrado à confraternidade universal das classes operárias, e em comemoração dos mártires do trabalho’.

A ideia do de Maio como um dia de protesto de trabalhadores, que reivindicam jornadas mais curtas e melhores condições de vida e salário, ganhou força no final do século 19.

Em 1866, nos Estados Unidos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores realizou um congresso em Baltimore (Maryland), e definiu como principal reivindicação a jornada de oito horas diárias.

Como essa demanda não foi atendida, trabalhadores organizaram uma grande greve em Chicago, em de Maio de 1886. A repressão violenta da greve resultou na morte de manifestantes e, dias depois, novos confrontos e uma explosão agravaram ainda mais o cenário, mobilizando cerca de 340 mil trabalhadores em todo o país, e marcando a data como um dia de luta da classe trabalhadora.

Foi com base nessa trajetória de lutas que, em 1919, a França instituiu o de Maio como Dia do Trabalho, consolidando a reivindicação da divisão das 24 horas do dia em três partes: oito horas de trabalho, oito de descanso e oito para lazer, convívio social, e cuidados pessoais.

Mas, para entender como tudo começou, é preciso voltar ainda mais no tempo, e chegar à Inglaterra do início do século 19, época em que homens, mulheres, e crianças, trabalhavam de 16 a 18 horas por dia nas fábricas têxteis de Manchester.

Em 1802, foi criada a chamada ‘Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes’, considerada a primeira legislação trabalhista do mundo que limitava a jornada de aprendizes - incluindo mulheres e crianças.

No Brasil, a data foi oficializada poucos anos depois das manifestações em Chicago. Segundo historiadores, a lei do presidente Arthur Bernardes era uma tentativa institucional para diminuição da força dos movimentos socialistas nas fábricas brasileiras, após a vinda de imigrantes europeus - especialmente italianos e espanhóis – para São Paulo.

Ao longo das décadas seguintes, o de Maio foi sendo incorporado também pelo Estado brasileiro. Em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi instituída nessa data.

As lutas trabalhistas no Brasil, no entanto, já vinham de antes, como mostra a greve geral de 1917 em São Paulo.

Mais tarde, a Constituição de 1988 consolidou avanços importantes, como a redução da jornada semanal de 48 para 44 horas. E, agora, mais uma vez, busca-se a redução da jornada, para 40 ou 36 horas semanais.

O sociólogo Clemente Vanz Lúcio, presidente do Fórum das Centrais Sindicais, afirma que, apesar das transformações históricas, as disputas centrais do mundo do trabalho permanecem as mesmas. A divisão do produto econômico entre salários, lucros, e capital, continua sendo o eixo do conflito.

No passado, jornadas exaustivas de até 12 ou mais horas, baixos salários, e ausência de direitos básicos, marcavam a relação entre trabalhadores e empregadores. Hoje, o cenário ressurge sob novas formas, embora seja preciso destacar a evolução das condições, com outros direitos sendo conquistados.

 


Imagem em Destaque:  Greve dos operários de 1917 que envolveu mais de 50 mil operários em São Paulo, e que se estendeu por uma semana, é um dos marcos do 1º de Maio.

 

Fonte: Cristiane Gercina | FSP

 

(JA, Mai26)

 


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