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Trem da Vida


Num trem, no vagão de passageiros, várias pessoas estão viajando. Cada um dos que estão ali tem um destino específico.
O trem para numa estação, em outra, e outra.  Em cada uma, alguns descem outros sobem; o trem sempre segue.
Os que desceram é porque chegaram ao seu destino. Em seguida tomam outra condução, ou vão caminhando, dependendo de onde devem chegar.  Os que ficaram no trem, leem alguma coisa, se confraternizam, descansam, comem, bebem, ou ficam apenas apreciando a paisagem que passa lá fora, através das janelas. E permanecem assim,  até chegarem na estação onde devem descer, quando tudo se repete.
O trem vai seguindo, até parar na estação final. Lá, os passageiros que vieram, os remanescentes, descem. Então, sobem novos passageiros que irão fazer o percurso inverso .

Todos os que estiveram juntos no trem, apesar de terem compartilhando uma situação comum, são indivíduos com uma história, experiências e objetivos exclusivos. Uns vieram visitar familiares ou amigos, outros estão de mudança para uma nova cidade, novo emprego, casamento, à negócios. Outros vieram para completar seus estudos, fazer um tratamento médico, e outros ainda estão voltando derrotados, em busca de apoio; ou bem sucedidos, em busca de aplausos. 
Tão diferentes, mas tão iguais, no sentido de que compartilharam por um determinado período tantas coisas: o vagão, o comboio, a locomotiva, o maquinista e auxiliares, a  condição atmosférica, cumprimento de horário, a programação dos demais comboios ferroviários, o mesmo ar, o mesmo tempo.
Embora independentes, ficaram juntos. É uma situação que podemos chamar de 'individualidade coletiva'. Uma situação para a qual somos levados em vários momentos da nossa vida. Momento em que assumimos nosso espaço em determinados ‘vagões’ que escolhemos ou que nos foram determinados, nos relacionando com as diversas pessoas que também estão ali, obedecemos as mesmas normas, e compartilhamos tudo o que acontece durante 'a viagem'. 
Esse coletivo é enriquecedor. É ele que viabiliza, que nos ajuda a percorrer caminhos que, de outra forma, seria muito difícil, ou mesmo impossível. A cada “estação’ vamos recebendo e perdendo companheiros de viagem, e vamos sempre trocando experiências, conhecimentos, solidariedade, num processo evolutivo. E vamos avançando, realizando nosso destino, até a última ‘estação’, onde o ‘descer’ é compulsório.

“Aqueles que passam por nós, não vão sós; não nos deixam sós.  Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” (Antoine de Saint-Exupéry)





JA, Jul14

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